1 de maio de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (10)


Ao Marquês de Penalva, senhorio das Casas onde o Autor morava, sendo notificado pelo Feitor do Marquês, lhe respondeu com o seguinte, depois de despejar.


Qual duro Freitas, que a homenagem zela,
Antes que a praça entregue à mão armada
Busca do Sancho a urna aferralhada,
E as chaves que azeitou introduz nela;

Assim eu que os Esbirros da janela
Pressentindo estou sempre ao pé da escada,
Em vossas mãos Marquês, desta Morada
Reponho a chave e me despeço dela:

Antes que a enxerga o tal Feitor me venda
No Castelo, de Mestre de Meninos
Com o favor do Manique irei pôr tenda:

Aqui semestres passarei genuínos
Que a entrada franca, e o fiador à Renda
Tudo fica à eleição dos Inquilinos.

Segundo soneto dirigido por António Lobo de Carvalho ao Marquês de Penalva, seu senhorio. Aparentemente, o perdão da dívida da renda vencida que implícito no soneto anterior não terá tido o sucesso pretendido, e o poeta foi despejado da casa onde vivia.
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