19 de abril de 2013

O conflito brácaro-vimaranense segundo Rafael Bordalo Pinheiro (2)

Caricatura de Rafael Bordalo Pinheiro, publicada na revista Pontos nos ii, nº 39, 28 de Janeiro de 1866, pp. 198-199
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A segunda caricatura que Rafael Bordalo Pinheiro publicou nos Pontos nos ii acerca do conflito brácaro-vimaranense é inspirada na lenda de Cila e Caríbdis, monstros marinhos que habitavam cada qual seu lado do estreito de Messina, que separa a Sicília da Península Itálica, personificando os perigos da navegação naquelas águas.
A crónico publicada no mesmo número da revista também se referia ao conflito que abalava o Minho naquela altura: 


Crónica
 […]
Antes de se entrar na questão de Braga e Guimarães, o Eduardo José Coelho fez vários requerimentos sobre arranjos aduaneiros, dizendo que o sr. ministro da fazenda delapidara os dinheiros do tesouro.

A maioria protestou contra o vocábulo, fundada, cremos nós, em que a maior parte do auditório não saberia talvez a verdadeira significação do verbo delapidar.
O orador explicou então que queria dizer na sua “haver o referido sr. ministro distraído ilegalmente os dinheiros públicos, como mais tarde provaria.”
A maioria deu-se por satisfeita, visto que o público menos ilustrado das galerias percebera enfim a significação de delapidar
Franco Castelo Tranco, o simpático defensor de Guimarães, quis protestar contra este género de explicações, que lá lhe pareceu um tanto esquipático, mas a própria maioria abafou-lhe a voz lealmente ingénua.
Mal empregada pomba, este Castelo Branco, para ter caído nas garras dum abutre…

O sr. ministro do reino insistiu tanto em que a questão de Braga e Guimarães — ou seja antes a questão do sr. marquês de Valada — tinha duas partes, que toda a gente ficou convencida de que se tratava duma questão… hermafrodita!

O correspondente de Guimarães para o Diário de Notícias manda em telegrama o seguinte período :
“Os moradores do bairro industrial apresentaram- se de costumes com seu pendão e músicas...”
Como demónio serão os costumes dos moradores do bairro industrial ?...
De chéché? De vivandeiras? De zuavos? De pierrots?

 
Se foi em costumes primitivos, quem dera ao sr. Bailio que o governo o houvesse transferido de Braga para Guimarães!
S. exa. até era capaz de acompanhar o préstito pegando à vara do pendão!
Emídio Navarro disse na câmara que o sr. Bailio era possuidor duma caixa de Pandora.
Foi equívoco. S. exa. tem, mas é, uma caixa de rufo.
Aspecto da com missão de Braga na sessão da câmara dos deputados.
A galeria assim, dava muitos ares duma capelinha do Bom Jesus.
Pontos nos ii, nº 39, 28 de Janeiro de 1866, p. 197
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