2 de abril de 2013

Cenas da vida familiar...



Na Revista Universal Lisbonense já se praticava o jornalismo de faca e alguidar, ainda hoje muito em moda, dando forte contributo à venda de folhas papel com tinta que se publicam entre nós. Quanto mais escabroso fosse o acontecimento, mais apetecível era para o público. Um exemplo deste género jornalístico é a notícia de um crime sangrento ocorrido em Tabuadelo no dia 2 de Abril de 1845, que a seguir se transcreve.


CONJUGICÍDIO E PARRICÍDIO

No lugar da Divisa, freguesia de S. Cipriano de Tabuadelo, distrito de Guimarães, dormia ainda na sua cama na manhã de 2 do corrente António José Pimenta, descansando dos trabalhos da véspera para os do dia, porque era com o suor do seu rosto que sustentava sua mulher e sua filha de idade de 12 anos, - quando, pelo aposento, entrou sem arruído aquela mesma, que talvez pouco havia lhe tinha saldo de entre os braços; vem acompanhada do fruto dos seus mútuos amores e traz nas mãos apertada uma grossa chuça de ferro: - porquê? - e para quê?!... À primeira destas perguntas não se sabe, nem seria fácil responder: à segunda responde o espectáculo que, poucos minutos após, estava presente a todos os olhos da povoação.

O ferro homicida entrara pela boca, rompera a língua e o esófago do dormente; rasgara-Ihe a sobrancelha e a orelha do lado direito, deixando na passagem roto crânio: outras feridas se viam no rosto e no ombro esquerdo

Ao cabo de cinco dias de martírio estava a ensanguentada vítima requerendo vingança do tribunal divino.

Revista Universal Lisbonense, volume 4, 24 de Abril de 1845, p. 485
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