27 de abril de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (6)


Aos anos de Anselmo José da Cruz Sobral, a quem o autor era muito obrigado.




Quando alguém me encontrar posto na rua
De meias brancas, de vestido novo,
Com gesto honrado, qual Juiz do Povo,
Que à esquerda leva a própria mulher sua:

Quando virem que à laia de charrua
Que vem de Holanda cheia como um ovo,
De proa joga o vulto deste Lobo,
Que rompa, ou rasgue, atrás não arrecua:

Quando um zoilo com outro assim porfia,
Se esta minha bazófia ocultos canos
Terá na santa casa ou obra pia:

Vão à folhinha ver esses pastranos
Que hoje mesmo é que faz (oh que alegria!)
Meu grande Anselmo os seus felizes anos.

Anselmo José da Cruz Sobral era um burguês lisboeta, que na indústria e no comércio seguiu os passos do seu pai, um antigo marceneiro. Andou por Génova, onde se adestrou nas artes dos negócios e se casou. De regresso a Lisboa, aí se instalou em definitivo, como um próspero homem de negócios. Em 1770, seria feito fidalgo por D. Maria I. Como se percebe por este soneto, o “grande Anselmo” seria um dos mecenas da vida boémia do Lobo.
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