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A mostrar mensagens de Abril, 2013

Pregões a S. Nicolau (55): 1901 (aditamento)

Na última página do Bando Escolástico de 1901, escrito por Arnaldo Pereira e declamado por João Oliveira Bastos, aparece um poema com uma “conversa” entre autor e declamador, em que o primeiro quer saber do acolhimento da sua obra. Ficou de fora, por esquecimento, quando aqui publicamos aquele pregão, falha que agora se corrige.
Caro João, responde: O bando?... foi impresso? Não?... Quê?! Foi?... É boa!… extraordinário! E o que disse o Sampaio?... o Bráulio?!... Fala, peço. E o Albano Belino? e o padre comissário?...
Recitaste? E que tal?... Correu regularmente... Isso era de prever... pois não?!... Eu logo vi… Que dizes?... Muito com?! Não oiço... Estás contente?! Gostaram dele?!... quê?! Repete... não ouvi...
Palmas?! Um parabém?! Pois quê!... deram-se palmas?!... Então caiu em graça... Não?! Que dizes? Hein? — Valha-me S. Tiago! Olha lá se me acalmas... Fala mais alto e claro... Ah! agora oiço bem…
Acharam muito bom… assuntos palpitantes, Um chiste muito fino, um chiste aristocrata, Deste que só …

As poesias de António Lobo de Carvalho (9)

Ao Marquês de Penalva, quando senhorio de umas casas em que o autor assistia.
Da casa São Marçal belo advogado. E fiscal do caseiro em recta linha, Com a pressa com que um mês e outro caminha, Parece o ano todo é festejado!
Cuido (quero dizer) que bem livrado Ontem fui do aluguel da casa minha; Mas revendo a aerostática folhinha Já com novo semestre estou cangado:
Ditoso aquele, que em rasteira choça A dormir guarda a vinha a um grande Conde, Que a casa lhe ergue, paga o que ele almoça!
Nesta pois, em que eu vivo, os olhos ponde; Que se a tal renda não sair da vossa, Então, meu bom Penalva, não sei donde!

Outro soneto em que o Lobo pede ao seu senhorio o perdão de um semestre de renda. Desta vez a peça é dirigida ao Marquês de Penalva, Estêvão de Meneses. Este poema foi escrito depois de 1750 (ano em que Estêvão de Meneses foi agraciado por D. João V com o título de marquês) e Novembro de 1758, data da morte do fidalgo.

Efeméride do dia: Sagração da igreja de S. Miguel do Castelo

30 de Abril de 1236 O Arcebispo D. Silvestre sagrou a igreja de S. Miguel do Castelo. (João Lopes de Faria, Efemérides Vimaranenses, manuscrito da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento, vol. II, p. 78)
A igreja de S. Miguel do Castelo ocupa um lugar especial no imaginário da fundação da nacionalidade. Está profundamente enraizada a convicção de que foi aí que foi baptizado o filho dos condes Henrique e Teresa, Afonso Henriques, que se faria primeiro rei de Portugal. Em finais do século XVII, escrevia o padre Torcato Peixoto de Azevedo: Nasceu el-rei D. Afonso Henriques na vila velha de Araduca em 1094, e na paróquia de S. Miguel foi baptizado pelo arcebispo de Braga S. Geraldo, na pia que depois se trasladou para a real colegiada, aonde se venera.
Dois séculos depois, escreveria o Padre António Caldas: No século XII, gozando da preeminência de capela real do conde D. Henrique e de sua mulher D. Teresa, que viviam no vizinho castelo, forneceu esta igreja as águas do baptismo ao infante, q…

Pregões a S. Nicolau (54): 1902

O pregão de 1902 voltou a ser escrito por Arnaldo Pereira. Joaquim Martins de Menezes foi o pregoeiro. O texto segue o modelo do ano anterior, repetindo o intróito em verso: Entre as referências a acontecimentos que iam passando pelas conversas daqueles dias, está a homenagem ao escritor Émile Zola, que falecera no dia 29 de Setembro daquele ano.

BANDO ESCOLÁSTICO O S. Nicolau em Guimarães Recitado pelo Académico Vimaranense Joaquim Martins de Menezes 1902
IMPROVISO Aos Estudantes
Aí vai o nosso bando; e c se lhe chamo — nosso É que inda na minha Alma alguma luz me resta. Olhando para mim, vejo que sou um moço. E sinto-o agora mesmo, ao vir à nossa festa.
A minha Alma envolve-a a seiva das palmeiras Ouvindo-vos falar, ouvindo-vos sonhar. Que a flor da Mocidade é como a das roseiras: — Quer luz para viver, e Sol para cantar.
Pedindo para a festa o Sol que fortifique-a, Eu levo-a dentro da Alma — uma Alma de rapaz, Tal como um índio além, que leva uma relíquia, Beijando dentro da Alma o que na Alma traz..…