30 de abril de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (9)


Ao Marquês de Penalva, quando senhorio de umas casas em que o autor assistia.

  
Da casa São Marçal belo advogado.
E fiscal do caseiro em recta linha,
Com a pressa com que um mês e outro caminha,
Parece o ano todo é festejado!

Cuido (quero dizer) que bem livrado
Ontem fui do aluguel da casa minha;
Mas revendo a aerostática folhinha
Já com novo semestre estou cangado:

Ditoso aquele, que em rasteira choça
A dormir guarda a vinha a um grande Conde,
Que a casa lhe ergue, paga o que ele almoça!

Nesta pois, em que eu vivo, os olhos ponde;
Que se a tal renda não sair da vossa,
Então, meu bom Penalva, não sei donde!


Outro soneto em que o Lobo pede ao seu senhorio o perdão de um semestre de renda. Desta vez a peça é dirigida ao Marquês de Penalva, Estêvão de Meneses. Este poema foi escrito depois de 1750 (ano em que Estêvão de Meneses foi agraciado por D. João V com o título de marquês) e Novembro de 1758, data da morte do fidalgo. 
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