26 de abril de 2012

Alfredo Pimenta, por Miguel Salazar

Alfredo Pimenta (1882-1950), da série Vimaranenses Ilustres, de Miguel Salazar
Alfredo Pimenta foi um historiador e político vimaranense que se destacou no país na primeira metade do século XX. Se o seu percurso político foi acidentado e polémico (começou como republicano de tendência anarquista acabando monárquico e simpatizante dos regimes totalitários italiano e alemão), como historiador destacou-se pela seus estudos da Idade Média portuguesa. Miguel Salazar traçou o seu retrato para a série Vimaranenses Ilustres que vem publicando.
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12 de abril de 2012

Fernando Távora, por Miguel Salazar

Arquitecto Fernando Távora (1923-2005), da série Vimaranenses Ilustres, de Miguel Salazar
Nascido no Porto, o arquitecto e professor Fernando Távora está profundamente ligado a Guimarães, em especial pela marca indelével que deixou na arquitectura e no urbanismo da cidade. Aqui fica, em mais um dos retratos de Vimaranenses Ilustres de Miguel Salazar
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10 de abril de 2012

Sobre o "varandim" do Toural


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Ausente de Guimarães por alguns dias, acompanhei de longe a polémica que se reacendeu à volta do Toural, agora a propósito da colocação da obra de arte em forma de varandim dourado. Tendo-o visto hoje, com olhos de ver, suscita-me algumas reflexões.

1. O meu contacto com esta obra foi antecedido pelo visionamento de uma entrevista da autora daquela intervenção, a artista Ana Jotta, ao site Guimarães Digital, com declarações que não me pareceram particularmente felizes. Dizer que o Toural, tal como o conhecemos antes da configuração que agora apresenta, era “uma praça dos anos 50, mais ou menos” é sinal de que o “trabalho de casa” não foi bem feito. O Toural anterior a 2011 foi desenhado exactamente um século antes, na sequência da instauração da República, tendo sido completado no final da década de 1920 com a colocação do mosaico de quartzito e basalto. O único elemento da década de 1950 que lá existia era a fonte-monumento.

Por outro lado, julgo depreender da entrevista em referência alguma confusão na descrição do processo de produção da grade do Toural. Ao contrário do que a artista afirma, a fundição em molde de areia é um processo eminentemente industrial. Artesanal é o trabalho do ferreiro, o mestre da forja, do fole, da bigorna, do martelo e das tenazes, cuja arte tem, em Guimarães, larga tradição e notáveis artistas. Basta espreitar, sem sair do Toural, a loja do Ferreira da Cunha ou conhecer a oficina do artista que, ali para a rua de Donães, dá pelo nome de Gaspar Carreira.

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O mais surpreendente da entrevista é a afirmação de que “as pessoas gostam de vandalizar seja o que for”, a que subjaz a ideia de que o destino daquela obra é ser vandalizada. Ora, se há terra onde tal asserção não faz o mínimo sentido é Guimarães. Aqui, as pessoas não “gostam de vandalizar”. Bem pelo contrário. Em Guimarães, as pessoas estimam e preservam o seu património. E fazem-no com tais cuidados que a cidade ganhou o estatuto de Património Mundial.

2. Não me parece que varandim seja o nome mais adequado para aquele objecto. Um varandim é uma espécie de varanda estreita, colocada num ponto elevado, em geral com vistas privilegiadas sobre a paisagem. O que se encontra no Toural tem o nome de grade ou, para ser mais exacto, gradeamento. Varandim é pseudónimo ou nome artístico.

Gradeamento do Toural (pormenor)
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Grade de varanda do Toural, em ferro forjado (pormenor)
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3. O gradeamento do Toural é, como a artista o assume, uma cópia do que já existia no Toural, como se percebe olhando para a varanda de um dos edifícios que se encostam à basílica de S. Pedro. No entanto, o original, em ferro forjado, ganha em finura e elegância.

4. Desde Dezembro que nos fomos habituando ao Toural com a sua renovada condição se praça ampla e desimpedida. O gradeamento introduz uma barreira na praça e alguns engulhos no argumentário de quem se afeiçoou à nova praça e agora olha para a grade como um corpo estranho.

5. O revestimento a ouro do gradeamento é um barroquismo que se estranha. O dourado não integra a paleta de cores com que se pinta a cidade de Guimarães. Não faz parte da nossa cultura urbana.

6. Na minha opinião, de adepto confesso do projecto de requalificação do Toural, o gradeamento dourado está a mais. Não havia necessidade. Por mais que as busque, não encontro razões de natureza funcional nem de ordem estética que me suscitem simpatia por aquela instalação artística.

 7. No entanto, neste caso, como em tantos outros, o modo como o tempo nos fará olhar para o gradeamento resultará da forma como as pessoas se apropriarem dele. E, em vez do vandalismo anunciado, vejo uma singular manifestação de bem-querer, que replica uma tradição que se vai espalhando pela Europa, a dos “cadeados de amor”, neste caso de amor pela cidade.

Pont des Arts, em Paris, onde os namorados celebram o seu enamoramento  prendendo cadeados no parapeito da ponte, lançando as chaves ao rio.
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Um dos aloquetes "afixados" na grade do Toural.
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2 de abril de 2012

Moreira de Sá, por Miguel Salazar

Bernardo Moreira de Sá, da série Vimaranenses Ilustres, de Miguel Salazar 
Da série Vimaranenses Ilustres, aqui fica o retrato de Bernardo Valentim Moreira de Sá pelo lápis de Miguel Salazar. Bernardo Moreira de Sá, nascido em 1853, foi um exímio violinista e maestro, tendo dado origem a uma notável dinastia de músicos, de que se destacam Helena e Madalena Sá e Costa. Em Guimarães, é mais conhecido como Valentim Moreira de Sá, sendo patrono da Academia que ostenta o seu nome, instituíada pela Sociedade Musical de Guimarães.
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