13 de fevereiro de 2012

Guimarães, num guia para turistas de 1913



Ruth Kedzie Wood, autora de diversos livros de viagens para turistas, andou pela Península Ibérica em 1913. Dessa viagem resultou o livro "The Tourist's Spain and Portugal" onde, na parte referente a Guimarães, deixa uma novidade nunca antes ouvida: a de que o célebre arqueólogo alemão Heinrich Schliemann, o descobridor de Troia e de Micenas, também teria feito explorações na Citânia de Briteiros...

Porto-Guimarães via Trofa, 60 km = 2 horas, da Estação Central.

Guimarães, no coração da verdejante província do Minho, é o local de nascimento da monarquia. Dom Henrique de Borgonha estabeleceu-se aqui no século 11 e em Guimarães nasceu e se proclamou rei seu filho Afonso Henriques. Alguns historiadores afirmam que os gregos viveram aqui 1300 anos antes de Cristo. Mais tarde, vieram os celtas. Uma das suas cidades, Citânia, foi parcialmente escavada. Situa-se no topo de uma colina cansativa, acima da aldeia de Briteiros, 10 quilómetros a norte de Guimarães. Correntes, imagens e ornamentos celtibéricos foram encontrados aqui pelo Dr. Schliemann e descritos no seu volume “Citânia e cidades fortificadas do Minho”.1 Mas estamos mais endividados com o falecido Dr. Sarmento, de Guimarães, pelas descobertas citanienses. Edifícios, redondos e quadrados, e ruas bem definidas foram postos a descoberto, graças à sua generosidade. Moedas, jóias, e pedaços de cerâmica retirados da "Pompéia de Portugal" estão expostos no Museu Arqueológico de Guimarães, onde também está a pedra sacrificial mencionada no "Porto".2

As artes da Citânia e Sabroso, numa vizinhança sossegada, têm influenciado desenhos em ornamentos e objetos de cerâmica ao longo de 2000 a 3000 anos, com um desvio visível nos produtos recentes das zonas adjacentes.

Guimarães, apesar de ser uma das mais antigas cidades portuguesas, tem poucos traços de idade extrema, se exceptuarmos o castelo construído há nove séculos por Mumadona, tia de Ramiro II, que também fundou a antiquíssima igreja de Nossa Senhora da Oliveira, e se se exceptuar também esta igreja românica e a câmara municipal, erguida sobre uma arcada de largos arcos. A cidade respira o ar limpo das montanhas. Os seus habitantes sempre foram conhecidos pela sua sobriedade, que se reflecte nas suas ruas.

The Tourist's Spain and Portugal, by Ruth Kedzie Wood, New York Dodd, Mead and Company, 1913, pp. 330-331

1O texto “As Citânias e as cidades fortificadas do Minho” não é de Schliemann, que nunca esteve em Briteiros, mas de Emile Cartailhac, inserido na sua obra Les âges préhistoriques de l'Espagne et du Portugal” (AAN).
2“As cangas dos bois revelam uma outra fase de decoração peculiar do Porto e do Minho. O jugo, como sabemos, transforma-se numa largo e ampla peça de da madeira, da mesma família, na forma e nos padrões da escultura da sua superfície, da pedra sacrificial encontrada em Guimarães, a “pedra formosa” dos portugueses, admirada como um compêndio de desenhosos tradicionais e, portanto, merecedora de imitação.” (p. 323)
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