7 de dezembro de 2011

Apontamentos para a história das Danças Nicolinas (4)



Os festejos de 1865 foram prejudicados pela chuva. No entanto, houve algumas exibições e duas danças a carácter, que entretiveram o público. 
Em 1866, novo incidente ensombrou as danças a S. Nicolau, que então já também se exibiam em algumas casas particulares. Foi noticiado pelo Vimaranense:
Os festejos escolásticos terminaram infelizmente por um desagradável incidente, que contristou toda a classe e mais pessoas que dele têm tido conhecimento.
Achando-se reunidas algumas famílias da sua amizade em casa do Ilm.º sr. Gaspar Ribeiro Gomes de Abreu na noite do último dia de máscaras, apareceram ali alguns estudantes mascarados e entre eles o nosso amigo José Baptista Felgueiras, filho do falecido Ministro de Estado João Baptista Felgueiras.
A entrada inesperada de um máscara, que evitava ser conhecido, suscitou a desconfiança nos estudantes presentes de que não pertencesse à classe, resultando daqui, como era natural, o desejo de o reconhecerem, desejo que, sendo contrariado, suscitou um reboliço que veio a terminar à porta da casa, onde foi gravemente ferido na palma esquerda o sr. Felgueiras ao aparar uma punhalada, que mão covarde e traiçoeira lhe despedia.
Este acontecimento causou o mais desagradável sentimento a todos que o presenciaram, tanto mais porque a vítima desta brutalidade é um excelente mancebo, de distinta educação, incapaz de ofender a ninguém e dotados dos mais nobres sentimentos.
A ferida não apresenta sintomas perigosos, apesar de ser profunda, e ter dado lugar a uma grande hemorragia de sangue.
No pregão desse ano, proclamou-se:
Vereis depois, vertiginosas danças,
Não só de gentis moços, mas de panças
– Garridos anciãos, que em tal festejo
Não querem de brincar perder o ensejo
Na tarde de 6 de Dezembro de 1867, saíram dois bailes e algumas exibições.
No ano seguinte, os festejos do dia de S. Nicolau seriam idênticos. Uma das exibições foi, então, especialmente notada, por lembrar que a festa estava a perder o seu antigo esplendor. Segundo o Religião e Pátria, vestiam de luto alguns mascarados, acompanhando, de archotes acesos, campainhas soando lugubremente e tambores cobertos de crepe, um carro em que vinham outros mascarados. Um dos mascarados recitava uma poesia que lamentava a mortal decadência da festa do S. Nicolau. Não faltaram susceptibilidades feridas por esta manifestação, havendo quem, à noite, saísse à rua, recitando versos insultantes e desbragados contra a exibição da tarde.
Em 1870, os estudantes desentenderam-se, tendo chegado a vias de facto. Mas, a crer no que se então escreveu no jornal O Vimaranense, a discórdia até resultou em benefício das Festas:
As escolásticas mascaradas, peculiares da nossa terra, apresentaram-se este ano muito mais luzidas, graças à justa travada entre os dois grupos discordes. Nenhum excedeu o outro em aparato e cordura, tornado ambos a velha festa excepcionalmente brilhante. Neste ano, em vez de um, foram declamados três pregões: dois pelas facções desavindas dos estudantes no activo e um terceiro pelos estudantes veteranos.
Entretanto, o célebre professor Venâncio tinha-se jubilado, deixando de haver aula de latim em Guimarães, o que ajuda a explicar o esmorecimento das festas a S. Nicolau, que por aqueles anos era uma evidência para os vimaranenses. Durante vários anos, não haveria danças.
[continua] 
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