4 de fevereiro de 2011

"Igreja barroca, local desconhecido"


Igreja barroca, local desconhecido
Fonte: Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa / Frederick William Flower – A Pioneer of Portuguese Photography, de Michael Gray, Vitória Mesquita, José Pessoa r André Rouillé. Museu do Chiado - Lisboa, Lisboa 94 / Milão, Electa, 1994

A fotografia que vai aí acima aparece na obra Frederick William Flower – Um Pioneiro da Fotografia Portuguesa, publicada quando Lisboa foi Capital Europeia da Cultura  (1994). O edifício que representa surge descrito como "igreja barroca, local desconhecido". 

 

Confesso que, das vezes que olhei para aquela imagem, não a identifiquei com qualquer edifício que conhecesse.

 

Ontem, mão amiga (Miguel Bastos, a quem agradeço) fez-ma chegar com a correspondente identificação: trata-se da muito vimaranense Igreja de Santo António dos Capuchos, à qual se encostou o hospital velho, património da Misericórdia de Guimarães. É exactamente a ausência na fotografia do edifício do hospital que perturba a identificação, até porque a igreja está hoje exactamente igual ao que era em meados do século XIX (já nem sequer lhe falta o cruzeiro, que voltou ao seu local de origem, aquando da recente requalificação daquele espaço).

 

A fotografia aparece com a datação aproximada de 1849-1859. Possivelmente, terá sido fixada entre 1857 e 1859, altura em que Frederick W. Flower esteve em Guimarães e fotografou a Praça da Oliveira.

 

São de Flower as fotografias mais antigas de Guimarães até hoje conhecidas.

 


 A igreja e o Hospital da Misericórdia, em 1925.


A igreja terá sido construída na segunda metade do século XVIII. O edifício do Hospital, que não aparece na fotografia de Flower, começou a ser construído em 1861 e ficou concluído em 1867.


A Igreja dos Capuchos, em fotografia actual.

Ao Miguel Bastos e, muito em especial, à perspicácia da sua esposa (Adriana), ficamos a dever a identificação de uma das primeiras fotografias tiradas em Guimarães.


PS (5/02/2011): Chamam-me a atenção para o texto da conferência do meu amigo Eduardo Brito, na Plataforma das Artes, em 26 de Março de 2010, sobre o tema "Cidade Imaginada", em que o conferencista já identifica a fotografia em questão como representando a "fachada do Convento dos Capuchos, indicada como local desconhecido". O texto da conferência de Eduardo Brito, pode ser lido aqui. Vale a pena.
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2 comentários:

Torcato Ribeiro disse...

Caro Amaro das Neves,
O Eduardo Brito também chegou a essa conclusão há já algum tempo.

aan disse...

Meu caro Torcato Ribeiro,

Obrigado pela chamada de atenção. Tens razão. Tendo sido alertado para a minha falha quanto a essa referência, eu vinha aqui para juntar uma nota sobre isso mesmo, quando li a o comentário que cá deixaste. Foi na conferência "A Cidade Imaginada", que o Eduardo Brito proferiu no Laboratório das Artes (Café Milenário) no final de Março de 2010, e a que assisti, que, referindo-se às fotografias de Guimarães de Flower, disse:

"Em Guimarães, centram-se no seu conjunto histórico: sete delas em torno da Oliveira e do Castelo, uma oitava da fachada do Convento dos Capuchos, indicada como local desconhecido na referida publicação."

Tenho que reconhecer que, na altura, não "processei" a informação como deveria ter feito e não associei a referência do Eduardo à imagem em questão e que só agora é que para mim se tornou claro que a fotografia do Flower representa a igreja dos Capuchos.