5 de dezembro de 2010

Das Nicolinas (12)

As posses
 

Tem-se dito que as festas Nicolinas terão raízes na posse ou renda deixada aos meninos do coro da Colegiada de Guimarães por certo cónego da Colegiada de Guimarães, nunca identificado. Essa renda, que incluía as maçãs que seriam distribuídas pelas damas e donzelas de Guimarães, era colhida dos dízimos de Urgezes, que pertenciam à Colegiada de Guimarães. A renda de Urgezes era cobrada pelos meninos do coro da Colegiada, que se dirigiam àquela paróquia, dois paramentados com vestes de cardeal e um transformado em bispo, que figuraria S. Nicolau. Com eles seguia grande número de estudantes. Esta posse acabaria na sequência da extinção dos dízimos em Portugal, em 1834, não sem antes fazer correr muita tinta em tribunal.

Mas, desde tempos remotos, havia outras posses, de diferentes naturezas, que eram sempre reclamadas pelos estudantes. Uma delas era a posse do Cucúsio, magistralmente descrita por Raul Brandão, em "A Farsa". Outra das que os estudantes nunca falhavam era a posse do mato, oferecido pelos oleiros da Cruz de Pedra: era com esse mato que, junto à basílica de S. Pedro, os estudantes assavam as castanhas para o magusto em que partilhavam com os músicos que os acompanharam e com a população o resultado da colheita daquele dia.

No passado, havia também posses particulares. No virar do século XIX para o século XX, a mais marcante era a Posse do Padre Monteiro, cuja edição de 1904 já aqui foi descrita.

Em 1881, o "Religião e Pátria" classificava as posses como uma das mais entusiásticas e especiais brincadeiras destas festas escolásticas.

Este número das festas, em que os estudantes andam pelas casas reclamando "venha a posse!", sendo acolhidos pelos benfeitores com discursos que emulam o pregão, tem sido, nos últimos anos, um daqueles em que melhor tem tido uma evolução mais interessante, suscitando muito interesse, tendo um acompanhamento cada vez maior, como ontem se confirmou, apesar da intempérie. As posses são, nos tempos que correm, uma das maiores demonstrações da vitalidade e do carácter popular das Festas Nicolinas.

Partilhar:

0 comentários: