9 de novembro de 2009

Os Lusíadas da Sociedade Martins Sarmento (5)


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Apurado tudo quanto haveria para apurar em relação ao último proprietário do volume do exemplar da primeira edição de Os Lusíadas, antes da sua entrada para o acervo da SMS, passou-se a explorar a pista "Azevedo", manuscrita no frontispício da obra. Como Azevedo se trata de um sobrenome relativamente comum, tentou-se encontrar algum nexo entre os Lusíadas, Guimarães e alguém assim chamado. Colocaram-se diversas hipóteses, das quais ressaltou uma especialmente plausível: um dos primeiros monógrafos de Guimarães, o Padre Torcato Peixoto de Azevedo (1622-1705), autor das Memórias ressuscitadas da antiga Guimarães, que conhecia bem a obra de Camões, a quem cita, dizendo que o insigne Camões a quem nada ficou por dizer tocou a luz (pp. 155-156 do manuscrito de 1692 e 202-203 da edição impressa de 1845, que contém graves erros de transcrição, como por exemplo o de, na citação da estrofe 7.ª do Canto I, trocar o Ocidente, que aparece no manuscrito, pelo Oriente).



Procedeu-se, em seguida, à comparação do 'Azevedo' do frontispício dos Lusíadas com o da assinatura do Padre Torcato no manuscrito das suas Memórias ressuscitadas… e, apesar da diferença óbvia no desenho da letra z, que resulta do facto de, nos Lusíadas, a palavra ter sido quebrada em duas linhas (Azeve/do), apresenta semelhanças muito convincentes: os dois Azevedos parecem ser um só. Em seguida, procuraram-se outros manuscritos do Padre Torcato e encontrou-se um grosso volume contendo um Nobiliário, da sua autoria, onde se traçam as genealogias de diversas famílias da nobreza portuguesa. Cotejando este manuscrito com a rubrica que aparece nos Lusíadas, desvaneceram-se as dúvidas, mesmo em relação ao z dissonante. O 'Azevedo' da marca de posse dos Lusíadas é o ilustre Padre Torcato Peixoto de Azevedo.
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1 comentários:

dyeve disse...

en adelante, y realmente relajarse! maravilloso blog