29 de outubro de 2009

Desde que nasce o sol até que é posto

Desde que nasce o sol até que é posto
Governa o lavrador o curvo arado,
E de anos o soldado carregado
Peleja, quer por força, quer por gosto:

Cristalino suor alaga o rosto
Do barqueiro, do remo calejado;
Do cascavel ao dente envenenado
Anda o rude algodista sempre exposto:

Trabalha o pobre desde a tenra idade;
O destro pescador lanços sacode
Para escapar da fome à atrocidade;

Todos trabalham, pois que ninguém pode
Comer sem trabalhar; somente o frade
Come, bebe, descansa e depois fode.

António Lobo de Carvalho, poeta português do séc. XVIII. Nasceu em Guimarães.

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