22 de setembro de 2009

João de Meira, escritor-fingidor (8)

Antelóquio

Feixe de imitações, pastiches, ou o quer que é, pretende seu autor que breve explicação eu aqui lhe exare. Vá de fazer-lhe a vontade. Mais não pode ser, conforme em seu recente volume da Formation du style o francês Albalat pretende, esta ordem de trabalhos que, de ginástica literária, simples exercício. E quão fácil seja imitar um autor, pois que difícil se não torna apanhar-lhe os defeitos e exagerá-los em traço caricatural, vai para um século que o Marquês de Roure o escreveu.

Mas verdade manda que dito fique ser o pastiche um estudo útil, que leva a analisar o estilo dos mestres e orienta para que um estilo próprio se obtenha, embora paradoxal pareça. Eis o que tenho a frisar tão só, já que da personalidade a que o livro à consagrado ocupar-me não quero, que lugar, e de destaque, lhe reservo em Os do Liceu, livro que tenho planeado sobre a geração em que o único desaproveitado precisamente sou.

Bruno [aliás, João de Meira, 1911].
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