21 de setembro de 2009

João de Meira, escritor-fingidor (7)

Auto do jantar

Figuras: RUBENA, BRAZ

Este auto foi representado ao muito poderoso senhor D. Maximiano no ano de 1911, no Porto.


Braz – Deixa-me ver o tabardo
E a minha carapuça!

Rubena – Donde vás, por saber ardo ?

Braz – Mulher estás uma ussa,
Não sejas curisidosa,
Que não é cousa formosa,
Cata amanhos que fazer,
Não sejas intrometida.

Rubena – Io lo quiero saber,
Pues que soy io tu mujer!

Braz – Não virá por ti má trama,
Que me importuna teu zello?
Não vou com outra na cama…

Rubena – Y parte, Dios de lo cielo!

Braz – Cala-t'hi boca praguenta,
Fuge lá, bicha sarnenta,
Que vou jantar com amigos,
E mail-o Maximiano,
Que ora foi reformado,
E vae viver descançado.
Cuidarás tu que t’engano?
Ficam-te ahi quatro figos
E um salemim d’azeitonas,
Já muito tens que comer,
Se lhe aproveitar's as tonas,
Emquanto eu não vier.
Gil Vicente [aliás, João de Meira, 1911]
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