3 de abril de 2008

Um soneto da Viscondessa de Balsemão, com réplica do marido

Luís Pinto de Sousa Coutinho, 1.º Visconde de Balsemão (gravura de 1797, de Francesco Bartolozzi, a partir de obra de Domingos António de Sequeira)

Da obra poética da Viscondessa de Balsemão faz parte um soneto onde realça a constância de uma flor, a perpétua, ao qual respondeu o seu marido, Luís Pinto de Sousa, com um outro soneto. Aqui ficam ambos.


À Perpétua. Pela Ilustríssima Senhora D. Catarina César de Lencastre.


Pastores destes vales habitantes
Pastores que viveis nesta Espessura
Quero de vós saber se por ventura
Há no mundo Perpétuas inconstantes.

Nos montes mais vizinhos e distantes
Entre vós a perpétua sempre dura,
Animada daquela igual ternura
De vossos corações firmes e amantes.

Por não ter de Alecrim a variedade,
Conserva sempre o ser de amor-perfeito,
Sem que entre nela o roxo da saudade.

O tempo lhe não muda o raro efeito
E sendo tenra flor, na realidade
Tem duração eterna em nosso Peito.


Em Louvor do Soneto antecedente, pelos mesmos consoantes.

Pinto de Sousa

Sobre as ondas do Minho os habitantes
Do líquido Elemento e da Espessura
Ouviram seus assentos, que à ventura
Sujeitam as suas Leis sempre constantes.

Aos ecos solitários e distantes
O Pastor os repete e já procura
Gravá-los sobre os troncos, que a brandura
Destes versos em si guardam amantes

Eles têm da Natura a variedade,
A força de animar o amor-perfeito
E de enxugar o pranto da saudade

Vede se pode haver mais raro efeito
Que atar o doce Amor à liberdade
Com o amor divino de teu peito!

Sonetos colhidos aqui

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