7 de fevereiro de 2008

Vimaranenses: Frei Pedro dos Mártires

No catálogo honrosíssimo dos prelados beneditinos avulta, entre nomes imortais, o do nosso ilustre compatrício Frei Pedro dos Mártires, como 53.º naquela dinastia e 3.º filho de Guimarães, que muito distintamente a representara.

Nascido a 4 de Junho de 1645, cobriu a cógula monástica a 28 de Agosto de 1664, tornando-se desde logo notável na sua Ordem como escritor primoroso e admirável principalmente nos cálculos de aritmética e nos segredos da gramática.

Conhecido e admirado pelas suas virtudes e conhecimentos variados, não podia deixar de ocupar naquela milícia, verdadeiramente benemérita, os mais variados e subidos cargos, quais foram – brevemente apontados – os seguintes: o de prior e vigário do mosteiro de Refojos de Basto, de onde passou para o mosteiro de Lisboa, onde fora nomeado pregador geral da Ordem; D. Abade do Mosteiro de Santo Tirso – 1713 – e D. Abade Geral da Ordem eleito em 1716.

Da sua caridade evangélica dão-nos provas inconcussas os seus títulos de consolador dos súbditos, hospedeiro generoso dos advindos ao convento e esmoler dos pobres da vizinhança. Quando D. Abade de Santo Tirso. Da sua munificência foram provas muito significativas as riquezas com que opulentara a sacristia do mosteiro de Tibães e a árvore da família beneditina, com que exornou os claustros de S. Bento em Lisboa.

Conhecido e muito apreciado o nosso patrício pelo magnânimo D. João V, recebe deste uma carta muito especial em 1717, pedindo-lhe que nas igrejas da sua Ordem fizesse celebrar com a maior pompa e como festa de primeira classe a da Conceição da Virgem, ao que o ilustre D. Pedro dos Mártires de bom grado anuiu, lembrado talvez, que fora num mosteiro beneditino da Inglaterra, onde primeiro se venerara a Conceição da Senhora.

Finalmente em 1719 sobrecarregado de serviços e de merecimentos, sem se eximir nunca das obrigações monacais, morre a 12 de de Dezembro, deixando por sucessor condigno a Fr. José de Santa Maria.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 31, Guimarães, 29 de Maio de 1884]

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