27 de fevereiro de 2008

Vimaranenses: António de Vilas-Boas e Sampaio

Nasceu este nobre fidalgo e ilustre genealogista e poeta na freguesia de S. Martinho de Fareja, então do termo de Guimarães (hoje do concelho de Fafe), a 27 de Agosto do 1629, filho de Diogo Vilas-Boas Caminha e D. Ana de Carvalho e Sampaio.

Estudou primeiras letras e filosofia em Braga, de onde passou a Coimbra, matriculando-se em direito cesáreo na Universidade, no qual recebeu o grau de bacharel. Ocupou diversos cargos na magistratura portuguesa, como foram: Juiz de fora em Vila do Conde e Viseu; Corregedor em Torre de Moncorvo; Provedor em Coimbra; Desembargador da Relação do Porto, cargo de que tomou posse a de Fevereiro de 1689.

Faleceu a 20 de Novembro di 1701 e foi sepultado na sua capela do Paço de Vila Boas, freguesia de Airó, que ele havia erigido era honra de S. José. Não quis que se lhe escrevesse epitáfio, mas na parede da capela, junto da sepultura estão gravados os seguintes versos:

Qui tibi pusillum dicat, Josephe, sacellum

Coelum pro dono, te auxiliante petit

Et si magna petit parvo pro munerenos it

Esse nihil quod dat, quod petit omne putat

Escreveu diferentes obras em prosa e verso, pelas quais é merecidamente reputado um benemérito das letras. São elas:

“Nobiliarquia Portuguesa, Tratado da nobreza hereditária e política”. Desta obra conhecem-se quatro edições, havendo na Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento a primeira (1676) e a última (1754) e é ela tida como a principal publicação do autor, estimada pela sua dicção fácil e pura, embora por vezes seja muito crédulo, como afirma o sr. Inocêncio.

“Auto da Lavradora de Airó”. Saiu sob o pseudónimo de João Martins. Foi escrita para celebrar o fértil monte de Airó e nela finge o autor os amores de certo pastor e uma ninfa, sendo ele transformado no dito monte ela na fonte da Virtude que está junta ao referido Airó, célebre pelas suas qualidades terapêuticas, como ele afirma na “Nobiliarquia”.

“Arte de bem morrer: industrias para fazer uma boa morte”. Traduzida do italiano, impressa em Coimbra e dedicada pelo editor à esposa do tradutor, D. Maria Ferraz de Almeida.

“El baxel de Cupido navegación entretenida de Roberto y Cinthia”. Esta obra composta na meninice não chegou a ser impressa, porque o autor na velhice a rasgou.

“Saudades do Tejo e Lisboa na ausência da Senhora Catarina rainha da Grã-Bretanha”. Poema heróico, impresso em 1841 na imprensa da Universidade, juntamente com o “Auto”.

“Genealogias de muitas famílias ilustres o nobres deste Reino”. Esta ficou manuscrita e deve existir em poder de seus descendentes.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 42, Guimarães, 21 de Agosto de 1884]

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