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Vimaranenses: Agostinho Barbosa

Perfaz na próxima segunda-feira, 19 do corrente, 234 anos, quando falecera no seu paço de Unghento, no reino de Nápoles, o nosso imortal conterrâneo Agostinho Barbosa.

Nascido na quinta de Aldão, junto a Guimarães a 17 de Setembro de l590, desabrochou nele o génio em tão verdes anos, que aos 21 de idade já ele era cidadão benemérito da república das letras, às quais oferece em 1661 o seu Dictionarium Luzitanico Latimum, ao qual o padre Bento Pereira, 35 anos mais tarde, não duvidava chamar o mais copioso de todos os nossos vocabulários.

Na universidade do Coimbra, onde se matriculara, gozou sempre de valiosos créditos de estudante inteligentíssimo, e depois de ordenar-se tomou o grau de bacharel em ambos os direitos.

Não contente com o que lera e aprendera no seu país, instigado pelo insaciável desejo de ilustrar-se cada vez mais, deixa a pátria e visita as universidades da França, da Alemanha e da Itália, onde, se encontra muito que aprender. Também se faz admirar pela sua vastíssima erudição, sendo considerado ali imitador de Platão e Pitágoras.

Relacionado com os personagens mais notáveis do seu tempo e protegido pelo Cardeal Mellino, admirador dos seus talentos assombrosos, obteve de Urbano VIII a Tesouraria-mor da Colegiada de Guimarães.

É tal a importância do seu nome e a valia dos seus merecimentos, que Carlos Manuel, duque de Sabóia, lhe oferece generosos donativos para o chamar à sua corte, deixando a de Roma, e a república de Veneza lhe faz iguais oferecimentos, mas sempre com iguais recusas da parte do nosso inolvidável compatrício,

Filipe IV de Espanha apresenta-o a 26 do Fevereiro do 1618 no bispado de Unghento, sendo sagrado a 25 de Abril, na igreja da Senhora do Pópulo em Roma, pelo Cardeal de la Cueva e entra no sou bispado a 10 de Maio de 1849.

Escreveu, além do seu grande dicionário, notabilíssimas obras, a maior parte em latim e outras em castelhano, as quais o Papa Urbano VIII, em breve 18 de Agosto de 1626, louva, como quem as tinha em particular estimação.

Lourenço Crasso, falando deste famoso jurisconsulto, dá-lhe o primeiro lugar entre todos os canonistas, e o abade de Sever não hesita classificá-lo como o mais famoso varão, que produziu Portugal para crédito e ornato da república literária.

Paz eterna às suas cinzas venerandas.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 3, Guimarães, 13 de Novembro de 1883]

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