Sopradores e hortaliça.


Pormenor do passeio da Avenida D. Afonso Henriques (fotografia de hoje).

Nesta terra recandidata a cidade verde, muito se tem discutido acerca do ter ou não ter uma política para a cidade. Eu, que quase nunca sei do que se fala quando em Guimarães se fala em cidade, diria que o que falta é uma política para o território, que é muito mais do que a cidade e que tem carências que quem só olha para o centro urbano é capaz de nem sequer imaginar. Esse é assunto a que tenciono voltar, quando tiver mais vagar.
Depois da rave party de sábado, a que fugi (não sou apreciador de noites passadas em branco com o tum-tum-tum electrónico como banda sonora), regressei ao sossego doméstico e mergulhei no trabalho que tenho entre mãos, que se tem revelado especialmente desafiador por me mostrar o que não sei, mas que faço questão em saber. A faina rendeu. Perdi a conta às horas. Quando decidi que era tempo de dar descanso ao corpo, já a noite ia alta. Caí no sono dos justos. Mas não tardei a acordar, ao som de uma música conhecida, que vinha da rua. Os famigerados sopradores voltavam a atacar. Olhei para o relógio, que marcava 4h34. Resisti à tentação de me levantar para telefonar e apresentar queixa, por saber que o mais certo era ter o resultado do costume, ou seja, nenhum (se nem às queixas formalizadas por escrito se dão à gentileza de responder…). Fiquei às voltas na cama, num pesadelo acordado em que tentava adormecer, na certeza de que não iria tardar muito até voltar a ser despertado pelos rugidos da maquinaria que anda a betonar a Caldeiroa para construir o “muito necessário” parque de estacionamento, que geralmente começa a martelar por volta das 7h30.
Hoje de manhã acordei a tentar olhar para o lado positivo, a pensar que para algo poderia ter servido a noite mal dormida. Ao menos, a rua estaria limpa, o que, regra geral, não acontece.

Qual quê? Quando saí à rua, logo percebi que o soprador só sopra por onde passa a procissão ou, como já testemunhei várias vezes, para debaixo do tapete, que é como quem diz, para debaixo dos automóveis que pernoitam junto aos passeios da rua. Mas logo a minha atenção se desviou para algo profundamente inovador que via crescer ante meus olhos. Afinal, em Guimarães, a marca da inovação nas ruas de Guimarães vai para além da passadeira inteligente da avenida D. João IV.
Há mais, e aqui o pioneirismo é genuinamente verde.
Há uma nova horta urbana a crescer nos passeios da avenida D. Afonso Henriques.

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