Memórias Paroquiais de 1758: Mesão Frio

Casa de Margaride, mesão Frio (detalhe).
De todas as paróquias de Guimarães, a única de que não há qualquer notícia nas Memórias Paroquiais de 1758 é São Romão de Mesão Frio. Dela não conhecemos a resposta do respectivo pároco ao questionário de 1758, nem dispomos de qualquer resumo nos dois volumes de suplementos às Memórias Paroquiais é São Romão de Mesão Frio.
Como já vimos antes, há um conjunto de quinze paróquias de que não se encontram as Memórias Paroquiais. Não conheço a razão que possa explicar a sua ausência, mas encontro um padrão comum a todas elas: são as que, na distribuição alfabética das paróquias que, à altura, integravam o concelho de Guimarães, estavam repartidas entre as letras iniciais M e P: Marinha da Costa (Santa), Mascotelos (S. Vicente de), Matamá (Santa Maria), Mesão Frio (S. Romão), Moreira de Cónegos (São Paio), Nespereira (Santa Eulália), Oleiros (São Vicente), Paio de Vizela (São), Paraíso (São Miguel do), Pencelo (São João Baptista), Pentieiros (Santa Eulália), Pinheiro (São Salvador), Polvoreira (São Pedro), Ponte (São João), Prazins (Santa Eufémia) e Prazins (Santo Tirso). Poderão apontar-se duas excepções: as freguesias da Oliveira e de S. Paio, cujas iniciais se situam no mesmo intervalo. Porém, trata-se de excepções que confirmam a regra, já que as quatro freguesias que formavam a vila (aquelas, mais S. Miguel do Castelo e S. Sebastião) estão todas agregadas na mesma memória, com o número 134, aparecendo debaixo da designação comum de Guimarães e colocadas, na ordem alfabética, na letra correspondente, G.
Parece-me seguro que o pároco de Mesão Frio não se terá eximido ao cumprimento da tarefa de responder ao inquérito. Essa obrigação foi-lhe comunicada pelo pároco de Atães que, na memória da sua freguesia, informa que remeteu a ordem do Provisor do Arcebispado “à igreja de São Romão de Mesão Frio, que é a freguesia que se segue”, no dia 5 de Abril de 1758. Por outro lado, não se perceberia que o padre Francisco de Araújo, à altura cura da paróquia de Mesão Frio, tendo subscrito, na sua qualidade de pároco de paróquia vizinha, as respostas da freguesia de Aldão, tenha deixado o questionário da sua freguesia por responder. O documento foi produzido, certamente. Que descaminho terá levado, não sabemos.
Na obra As Freguesias do distrito de Braga nas Memórias Paroquiais de 1758 - A construção do imaginário minhoto setecentista, coordenada pelo prof. José Viriato Capela e editada em 2003, entre as memórias referentes ao concelho de Guimarães, aparece uma referente a Mesão Frio (pp. 352-353) que, sem dificuldade, se percebe que não pertence ao concelho de Guimarães, nem sequer se chama Mesão Frio. Trata-se de uma freguesia extinta, São Lourenço de Romão, situada na confluência dos rios Ave e Vizela, que hoje não é mais do que um lugar da freguesia das Aves, no concelho de Santo Tirso.

Mesão Frio
No Dicionário Geográfico, que se ficou pela letra D, estão registados sete lugares da freguesia de São Romão Mesão Frio, que pertencia à província de Entre-Douro-e-Minho, Arcebispado de Braga, termo e comarca de Guimarães, visita eclesiástica de Monte Longo. São eles Aldão, Assento da Igreja, Bouça; Campo Grande, Casa Nova, casal do Outeiro e Cruz da Argola.
Luís Cardoso, Padre, Dicionário Geográfico ou Notícia Histórica de todas as cidades, vilas, lugares e aldeias, rios, ribeiras e serras dos reinos de Portugal e Algarve, vol. I, 1747, e II, 1751.

Já no Portugal Sacro-Profano, editado em 1767, a freguesia de Mesão Frio aparece assim descrita:
MESÃO FRIO, Freguesia do Arcebispado de Braga, tem por orago S. Romão, o pároco é abade de apresentação do Padroado real, rende trezentos mil réis. Dista de Lisboa sessenta léguas e de Braga três. Tem noventa e cinco fogos.
Paulo Dias de Niza, Portugal Sacro Profano, ou catálogo alfabético de todas as freguesias dos reinos de Portugal e Algarve, vol. II, 1768, p. 30 e 31.

4 comentários:

Luis Castro disse...

Boa tarde,

nas memórias paroquiais existe uma breve resumo de uma Paroquia Mesão Frio, pertencente à comarca de Braga, com o órago de São Romão. Diz que é um couto denominado Capareiros, com 95 fogos paga 300$00. O número deste breve resumo é o 183 e está no tomo 42 (I suplemento). Será esta referente à freguesia de São Romão de Mesão Frio? Nunca tinha ouvido falar em tal couto de Capareiros, mas também não conheço nenhum Mesão Frio em Braga, tirando esta freguesia de Guimarães. Existe sim um couto capareiros em Viana do castelo...

Luis Castro

Antonio Amaro das Neves disse...

Boa noite,

O Couto de Capareiros é a freguesia que hoje se chama Barroselas, do concelho de Viana do Castelo.Estava sujeita à Mitra de Braga, pelo que integrava a comarca bracarense (mais tarde, já em meados do século XIX, passou para a de Viana). Já tinha andado às voltas com ela, quando fiz as transcrições, e concluí que era possível que aquela fosse a Mesão Frio de Guimarães (pela dimensão em fogos e população e por pertencer ao Padroado Real). Porém, teria que haver erro, porque o couto de Capareiros não é, definitivamente, ali, (nem a Mesão Frio de Guimarães pertencia a qualquer couto).

António Amaro das Neves

Luis Castro disse...

Boa tarde,

concordo com a sua opinião. É pena de facto não se encontrarem as memórias da freguesia de Mesão Frio. Já agora, consegue-me indicar alguma outra fonte onde seja feita algum tipo de descrição dessa freguesia?

Obrigado
Luis Castro

Antonio Amaro das Neves disse...

Sugiro-lhe a resposta do pároco da freguesia ao Inquérito de 1842, da Biblioteca da Sociedade Martins Sarmento e que está disponível aqui. http://www.csarmento.uminho.pt/docs/ndat/rg/RG108_045.pdf
António Amaro das Neves

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