9 de junho de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (50)

Ao Doutor João Dias Talaia, requerendo o hábito de Cristo pelos serviços do curro da Estrela.




Sonhou Talaia, herói das fantasias,
Que um grande alarve num país remoto
(Talvez fosse o seu preto, que é maroto,
Costumado a fazer patifarias):

Sonhou que o tal, desfeito em cortesias,
Com um painel entre mãos já velho e roto,
“Este que vês (lhe diz) feio, o canhoto
É teu mestre Quixote: — Ouves, Jan-Dias?

“Ele atesta, que tu és bom soldado;
Que em Mazagão já foste prisioneiro,
E na praça da Estrela escalavrado.”

Talaia acorda em ar de cavaleiro;
E às portas do Hospital dizem que armado

Fora ali numa loja de albardeiro.
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