15 de maio de 2013

Milagres da água da Fonte de S. Gualter e do sepulcro do santo (1)

Fonte de S. Gualter (fotografia de Manuel Anastácio)


Há uma fonte, a que chamam de S. Gualter, por nela costumar lavar o hábito, onde banhados alcançaram saúde nove tolhidos e aleijados; dois quebrados; dois enfermos de chagas incuráveis; um que tinha o braço apostemado; dois de inchaços deformes; sete de tumores, e lobinhos na boca, nas ventas e nos lagrimais dos olhos; uma mulher com a mão semeada de verrugas e um homem quase cego. Diante do seu sepulcro alcançaram também saúde dois asmáticos, uma surda, quatro cegos, um mancebo, que não via por um olho por causa de uma belida; uma moça derreada, que andava de gatinhas; uma mulher tolhida de todo o corpo; e outra de ambas as mãos aleijada: um menino de dois anos, que nasceu com os pés pegados às costas, e com as mãos retorcidas e fechadas, dentro das quais criava bichos.

Boaventura Maciel Aranha, Cuidados da morte e descuidos da vida, Oficina de Francisco Borges de Sousa, Lisboa, 1761, tomo I, p. 135

Apostemado: com abcesso, infeccionado.
Belida: Mancha branca que se forma na córnea do olho e turva a vista.
Deforme: Que sofreu profunda alteração da forma habitual.
Lobinho: cisto (tumor) sebáceo ou subcutâneo. 

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