31 de maio de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (41)

Ao sobredito Marquês, abandonado da Corte, no seu parreiral, onde manga em tudo.




Qual rafeiro, que estando ao sol deitado,
Que os pequenos em pé ouve latindo,
Com o rabo teso apenas sacudindo
Enxota as moscas, que lhe tem pousado:

Tal o velho Marquês, no ouro fiado,
Os mordazes satíricos ouvindo,
À sombra da piedade se está rindo
De quanto agora lhe maquina o fado:

Vê livres os fidalgos inocentes,
Acha-se só, não tem quem o socorra,
Ódio mortal de todos os viventes:

Um clama ao céu justiça, outro que morra,
Nada o altera; chama-lhe imprudentes;
Filho da puta, gabo-lhe a pachorra
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