3 de maio de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (12)


Ao noivado de um fidalgo desta corte em dia de jejum.



Mesas régias em vésperas de Advento:
Frutas de cama, vinhos de Canárias,
Tochas, barris, foguetes, luminárias,
Seges, lacaios, plumas de alto vento:

Pajens, copeiros, todos de espavento,
Franjas, galões, librés do cores várias,
Flautas, rebecas, minuetes, árias,
Tudo sinais são de alto casamento:

Mas em dia de peixe eu não conheço;
E de cantar acção, que o mundo atroa,
Cá me entendo, senhor, escusa peço:

Que é tão árduo o lembrar-me coisa boa,
Quando noto a diferença em gosto e preço
Dum rabo de sardinha a um de leitoa.


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