29 de abril de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (8)


Ao mesmo Conde, em agradecimento.


Quantas vezes, senhor, me acontecia
Correr esta cidade inutilmente,
Sem ter menos nem mais que dar ao dente
Que as três Aves da Igreja ao meio dia!

Nestes tempos então é que eu fingia
De Momo e Baco aluno contingente;
Barriga farta e estômago contente
Eram ritos, que então eu não sabia:

Mas vossa alta grandeza, que cobiça
O império arruinar da fome feia,
De garfo e faca armou minha preguiça:

Bendito Deus, que tudo remedeia!
Pois se gasto meia hora em ouvir missa,
Nada mais gasto no jantar e ceia!

Aqui, Lobo de Carvalho agradece ao Conde da Calheta as refeições de que tinha sido servido por sua conta e que lhe proporcionaram “barriga farta e estômago contente”
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