25 de abril de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (4)


Ao mesmo lI.mo e Preclaríssimo Senhor Fernando de Larre, que belissimamente me percebe.


Três reis gentios, nenhum deles mouro,
Sabendo que em Belém fora nascido
O famoso Messias prometido,
Vão incenso ofertar-lhe, mirra e ouro:

Levava cada um em seu tesouro
Manifesta a oblação, mas escondido
O mistério, que Deus de homem vestido,
Encerra como rei no metal louro:

Nas mãos da augusta mãe (trono em que estava)
O rei dos reis, em forma de mendigo,
Igual valor em cada obséquio achava:

Mas se os tais votos fossem ter comigo,
Não vos quero dizer em qual pegava,
Que vós bem me entendeis, meu caro amigo.

Lobo de Carvalho, sem o dizer, diz qual dos três presentes que os Reis Magos levaram ao Messias ele tinha preferia receber. A mensagem era dirigida, uma vez mais, a Fernando de Larre, que bem a entenderia…
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