13 de dezembro de 2011

Dia de festa


Passam hoje 10 anos sobre a atribuição pela UNESCO do título de Património Mundial ao Centro Histórico de Guimarães. Neste mesmo dia, abre ao público a requalificação do Toural, que, aliás, envolve bem mais do que o Toural. Estendendo-se pela rua de Santo António, Toural, largo 25 de Abril, Largo Bernardo Valentim Moreira de Sá, Alameda de S. Dâmaso. Terreiro de S. Francisco e Campo da Feira. Este processo de obras é a intervenção mais extensa que aconteceu em Guimarães desde que D. Dinis completou a cerca nova (muralha) de Guimarães.

Em terra que nunca foi afecta a grandes mudanças e que ostenta galões dourados no que toca à qualidade da sua acção no campo da conservação e da valorização do seu património, qualquer intervenção no Toural que não fosse meramente cosmética arriscava-se a enfrentar a polémica. Assim aconteceu. Não faltaram as críticas, quase sempre centradas em detalhes. A mais recorrente tem sido a da retirada das árvores que rodeavam a placa central da praça. Do meu ponto de vista, esse não é um defeito, mas uma das principais virtudes do projecto de requalificação que agora se conclui. As árvores, tal como estavam distribuídas, confinavam a praça. A opção tomada devolveu a Guimarães a sua antiga sala de visitas, em toda a sua grandeza, valorizando, nomeadamente a vista da bela fachada do lado nascente, dita pombalina. E nem sequer é verdade que tenham desaparecido as árvores, já que foram plantadas mais do que as que foram retiradas. Com o pormenor adicional: agora, os bancos do Toural aproveitam a sombra das árvores, o que antes não acontecia.

A requalificação que agora se conclui devolveu ao Toural o seu chafariz quinhentista, agora recolocado no seu lugar original, de onde nunca devia ter saído. Com esta localização, o chafariz recupera a sua monumentalidade e a cidade ganha um novo ex-libris.

Mas tendemos a esquecer que obra é mais do que o Toural. É muito mais. É um magnífico contributo para tornar a cidade ainda mais amigável para os que nela vivem e para os que a visitam. O tempo fará justiça à visão de quem projectou e de quem decidiu fazer uma obra que é, em simultâneo, tão ambiciosa e tão contida.
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5 comentários:

Alberto Guimaraes disse...

Concordo que qualquer intervenção que fosse efectuada nestes espaços da nossa cidade seria sempre revestida de polémica, não fosse a Resistência à Mudança uma das características mais vincadas e particulares do Ser humano.
No entanto, confrontado com as diferentes intervenções realizadas tenho que me dividir em duas posições distintas. A primeira, refere-se a toda a intervenção efectuada desde o Campo da Feira até ao "nosso Café Milenário", à qual, sem dúvida, atribuo o grau de mestria. Conseguiu-se ganhar um espaço da cidade, outrora confinado e propenso ao isolamento, tornando-o amplo, alegre, que nos permite visualizar toda a plenitude desta artéria central de Guimarães. Conseguimos do centro do Jardim ver a Igreja de S. Francisco, as fachadas e recantos da zona de couros, as fachadas da parte superior da alameda, o próprio chafariz do campo da feira, até ao inicio do Toural. E tudo isto num espaço aprazível e convidativo a um passeio. Excelente!
A segunda refere-se ao Toural. Aqui a minha opinião não poderia estar em maior desacordo. Se a recuperação do Chafariz Quinhentista para o seu lugar original é sem duvida de louvar, a transformação do Toural num espaço árido, frio e até mesmo agreste, fruto de uma área empedrada demasiado grande, parece-me a mim que irá transformar o Toural num espaço sem uso quotidiano, onde dificilmente voltaremos a ver os nossos "idosos" sentados a ver as nossas "crianças" a correr... A tal sala de visita passou a ser uma sala de eventos, onde em vez de sermos acolhidos com o "calor" que os espaços verdes nos proporcionavam, nos sentimos "desprotegidos" na imensidão de um terreiro...
No entanto nada como deixar o tempo ditar as suas leis! A ver vamos, mas o orgulho de sermos Vimaranenses sempre perdurará.

Alberto Vaz Guimarães

aan disse...

Meu caro,

Percebo as suas preocupações quanto à aridez que vê no novo Toural. No entanto, recordo que, no antigo Toural, não havia velhinhos sentados à fresca, uma vez que os bancos estavam ao sol. Ao contrário, os que lá estão agora estão, em grande parte, debaixo de árvores. Noto que hoje as árvores que foram plantadas no Toural estão sem copa, quase todas, e ainda vão crescer. Quando as árvores se tornarem mais evidentes do que nesta altura, acredito que boa parte da aridez de que fala deixará de se sentir.

A opção foi a de devolver a antiga grandeza ao Toural. Acredito que o novo Toural, até pelo espaço que conquista para os pedestres, poderá voltar a ser o espaço vivo que foi outrora e que se perdeu nas últimas décadas, apesar dos espaços verdes que lá existiam.

A ver vamos.

JPO disse...

Coloquem algumas pequenas floreiras, no novo espaço central, no verão o homem dos gelados, e no Inverno a mulher das castanhas...
E já agora, sejam criadas na parte norte, mais duas esplanadas, e o "novo" Toural vai com toda a certeza, voltar a ser a grande centralidade vimaranense.

Henrique Silva disse...

Assim que começarem a haver as esplanadas no Toural, tal como vemos em muitas praças de Espanha, por esxemplo, acho que as opiniões negativas vão mudar.
Esperemos

aan disse...

Tem razão. As esplanadas fazem falta. Devem serr incentivadas e promovidas regras que definam o seu ordenamento, para se evitar a "lei da selva" que encontrámos noutros lugares.

Já quanto quanto às opiniões negativas, elas vão esmorecendo. Mas nem todas desaparecerão: há algumas que são contra esta interven~ção, como foram contra a outra anteriormente proposta, como seriam contra qualquer uma ou contra nenhuma...