10 de junho de 2011

O Campo da Feira (3)

A Igreja dos Santos Passos, ainda sem torres, numa gravura  do "Archivo Pittoresco" (1864, pág. 93).
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A Igreja da Irmandade de Nossa Senhora da Consolação e Santos Paços, vulgarmente conhecida por S. Gualter (em Guimarães diz-se S. Gualtér) foi desenhada pelo arquitecto André Soares (1720-1769). Trata-se de uma obra póstuma, uma vez que a sua construção se iniciou no mesmo ano em que faleceu o autor do seu risco (1769). Foi benzida e aberta ao culto no dia 16 de Outubro de 1785. Não tinha, então, as duas torres que hoje se impõem na sua frontaria, tendo o edifício o aspecto que aparece na gravura que se mostra acima, publicada no "Archivo Pittoresco", em 1864. À altura da publicação desta gravura, já se tratava do financiamento da construção das duas torres, desenhadas por Pedro Joaquim Ferreira “condutor de obras públicas”, que faleceria em 20 de Junho daquele ano, quando dirigia a construção da primeira torre (a do lado nascente). A segunda, do lado poente, começou a ser levantada em 1867. As torres foram financiadas com espectáculos de beneficência no Teatro D. Afonso Henriques, rifas e leilões de prendas.

Em 26 de Maio de 1875, com foguetes a estalarem e uma banda de música a percorrer as ruas da cidade, deu entrada em Guimarães um cortejo de carros de bois engalanados, carregando 13 sinos fundidos numa fábrica de Lisboa, que seriam subidos às torres de S. Gualter dentro de dois dias, depois de baptizados pelo Chantre de Guimarães, que celebrou acolitado por dois cónegos. O sino maior recebeu o nome dos titulares da igreja da Irmandade; o segundo, na hierarquia dos sinos, foi apadrinhado pelo Conde de Vila Pouca; quanto aos restantes, coube a honra do apadrinhamento aos mesários da Irmandade. Finda a cerimónia, os sinos começaram a ser guindados para as torres.

A Igreja dos Santos Passos, tal como a conhecemos hoje.
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As torres da igreja dos Santos Passos são um acrescentamento que perturba o equilíbrio do edifício e que interfere com a harmonia do desenho original de André Soares. Pode-se dizer que, se falta uma torre à Basílica de S. Pedro do Toural, a Igreja de S. Gualter do Campo da Feira tem duas a mais.

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