19 de setembro de 2009

João de Meira, escritor-fingidor (5)

Outro poema da série de pastiches dedicados por João de Meira a Maximiano Lemos:


Inveja

Quando ele entrava na Escola,
Em tempo de maior bitola,
Alguns se punham a bradar:
- Aí vem o Maximiano,
É o terror do terceiro ano.
Rapazes, toca a estudar!

E chegados aos exames
Eram raposas aos enxames,
Eram raposas de escacar!
Mas ninguém topa, com verdade,
Uma falta de probidade
Para poder vir-lhe assacar!

Passou, depois, ao quinto ano,
Aí tornou-se mais humano,
Como bem era de esperar,
Já não dava raposaria,
Que tal lugar não permitia
Por ir o curso terminar!

Há pouco, enfim, chegou-lhe a hora
De poder ir por aí fora,
E a nossa Escola abandonar.
Deixa saudade e deixa inveja,
Pois, ai de nós! quem não deseja
Na sua pele poder estar!
António Nobre [aliás João de Meira, 1911]
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