17 de setembro de 2009

João de Meira, escritor-fingidor (4)

O seu retrato

Verruga no nariz, barba aguçada.
Curta a vista, o pescoço e o cabelo;
Gordo, mas não de mais, um ar singelo,
A mão pelo cigarro defumada.

Linda gravata, roupa bem talhada,
Chapéu em que Avelino pôs bom pêlo,
Colete que o Viegas cora ao vê-lo.
Bota de couro inglês bem engraxada.

Escritor que procura novidades
Nos entulhos do eterno esquecimento
E assim faz reviver outras idades.

Eis Lemos, em quem luz grande talento.
Um colega escreveu estas verdades
Dizendo ser Bocage em tal momento.
Bocage [aliás, João de Meira, 1911]
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