17 de junho de 2009

D. Afonso Henriques nasceu em Viseu? (7)

[Ler texto anterior]

A carta de confirmação, referida por Almeida Fernandes, tem a mesma data da carta de doação e é exactamente igual ao texto original, até às assinaturas de D. Henrique e de D. Teresa, inclusive. Não é, pois, uma confirmação de D. Teresa, até porque, como vimos, esta havia assinado e confirmado o documento original, outorgado na catedral de Coimbra. Uma nova confirmação, por redundante, não faria qualquer sentido.

A propósito, não deixa de ser curioso que Almeida Fernandes transcreva a referência à suposta confirmação de D. Teresa no segundo documento como se segue:

Ego Tarasia, Ildefonsi imperatoris filia, et Henrici comitis uxor, hoc scriptum confirmo, hanc cartam confirmatam in Viseo (p. 28).

Quando o que aparece na assinatura e confirmação do documento é o seguinte:

Ego Henricus Dei gratia comes et totius Portugalis dominus hoc donationis scriptum grato benignoque animo confirmo +. Et ego Tarasia Ildefonsi imperatoris filia et Henrici comitis uxor hoc scriptum similiter confirmo + (p. 81).

Porque será que o autor parece ignorar que nos dois documentos assinam ambos os doadores, um a par do outro? Por desatenção? Por deturpação intencional? Não sabemos responder.

O documento de Viseu, de que não se conhece a data, mas que é, seguramente, posterior ao de Coimbra, é uma cópia do primeiro, não sendo, ao contrário do que afirma Almeida Fernandes, a confirmação de D. Teresa, que já o havia assinado e confirmado sobre o altar da Sé conimbricense, em 29 de Julho, mas sim a ratificação da doação do Mosteiro de Lorvão à Sé de Coimbra pelo legado da Sé Apostólica, o arcebispo Bernardo de Toledo, que o confirma e robora a seguir às confirmações de Henrique e Teresa constantes no documento original:

Ego Bernardis Tholetanus archiepiscopus et Sancte Romane Ecclesie legatus conf.

E com isto se esvai o principal fundamento da tese de Almeida Fernandes, que se servia das duas cópias do documento de doação do convento de Lorvão para demonstrar que, entre Julho e Agosto de 1109, D. Teresa estava retida em Viseu. Não estava, porque, por essa altura, esteve em Coimbra, não havendo qualquer indicação de que também pudesse ter estado em Viseu.
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