25 de janeiro de 2009

O 7.º centenário da Morte de Afonso Henriques em Guimarães (3)

As celebrações, em Guimarães, do 7.º centenário da morte de Afonso Henriques estiveram envolvidas em polémica, num tempo em que se discutia o local onde seria implantada a estátua a D. Afonso Henriques, que na altura estava a ser executada pelo escultor Soares dos Reis, avançando-se com a ideia do lançamento da primeira pedra no dia em que se assinalava o centenário, 6 de Dezembro de 1885.

Monumento a D. Afonso Henriques

Diz o nosso colega do “Comércio de Guimarães” que, para se abrir o cabouco para o monumento a D. Afonso Henriques, cuja primeira pedra há-de ser lançada no próximo dia 6 de Dezembro, se espera apenas que a Câmara Municipal indique o ponto em há-de ficar o monumento, e acrescenta que, na opinião de um cavalheiro que foi ouvido a esse respeito, a estátua deve levantar-se no centro do actual campo de S. Francisco, tendo em atenção as dimensões que lhe foram dadas no projecto.

Não sabemos o que a Il.ma Câmara resolverá, mas quer-nos parecer não resolverá de outro modo. A projectada remoção da igreja de S. Sebastião não nos parece que deva ser agora tomada em consideração para se determinar o lugar em que deve levantar-se a estátua. A altura desta e da respectiva base foram calculadas para o actual Campo de S. Francisco, sendo, claro que para um recinto maior e de mais largos horizontes, deveria ser outra a altura. Demais, a obra da remoção da igreja não está ainda senão em projecto, e, quer-nos parecer que, quando se faça, não deverá prejudicar a regularidade do enquadramento actual do Campo. O largo de S. Sebastião será sempre o largo de S. Sebastião, como o Campo de S. Francisco será sempre o Campo de S. Francisco, cada um com os seus limites c com o seu destino especial. Foi esta a opinião que ouvimos ao esclarecido jornalista portuense, o sr. Manuel Maria Rodrigues, quando aqui veio em companhia dos snrs. Soares dos Reis e Gaspar, por ocasião de se celebrar com eles o contrato para a erecção do monumento; e foi este igualmente o nosso voto, quando aquele esclarecido jornalista, verdadeiramente preocupado com o caso, nos falou a tal respeito, como sabemos que o é de muitos cavalheiros com a autoridade e competência, que nós não temos.

Repetimos: não sabemos o que a Il.ma Câmara resolverá, mas quer-nos parecer que a sua resolução não pode ser outra senão a que indicámos.

Religião e Pátria, n.º 39, 38.ª série, 11 de Novembro de 1885
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