23 de fevereiro de 2008

Vimaranenses: Padre António José Lisbão

Não é filho do nosso concelho, mas escolheu-o para sua pátria adoptiva, aquele cuja biografia vamos esboçar e adquiriu o direito de entrar na lista dos beneméritos desta terra pelos relevantes serviços que ao concelho prestou.

António José Lisbão, nasceu na vila de S. Pedro do Sul, aos 7 de Fevereiro de 1802. Filho de pobres mas honestos ascendentes, desde sua meninice mostrou decidida vocação para as letras e para o respeitável estado eclesiástico. Auxiliado pelo bispo que então era de Viseu, conseguiu receber a sagrada Ordem de Presbítero. Dirigindo-se para esta terra foi por muitos anos administrador da nobre casa de Sezim, subúrbios desta cidade. Nomeado em 1846 pároco encomendado da freguesia de S. Vicente de Mascotelos administrou esta igreja durante o longo período de 22 anos, onde deixou memória indelével pela sua caridade, lhaneza e afabilidade de trato, o que lhe adquiriu a estima e consideração de todos os paroquianos, que o amavam como a pai carinhoso. Pela sua parte o rev. Lisbão jamais olvidou seus fregueses desejoso de continuar a entornar, mesmo de além da campa, sobre eles seus benefícios, em 31 de Janeiro de 1869 doou à Santa Casa da Misericórdia desta cidade a quantia de réis 1:600$000 com a obrigação de esta dar vestidos e uma manta – nos primeiros dois anos – a 5 homens pobres da referida freguesia e habitantes das três casas térreas e uma sobradada, sitas no lugar de Santo Amaro, freguesia de S. Tiago de Candoso; nos segundos 2 anos, 5 vestidos a mulheres pobres nas mesmas condições; nos terceiros 2 anos, 40:000 réis de milhão, para ser distribuído pelos chefes de família, pobres ou ricos, da mesma freguesia e ditas 4 casas e assim sucessivamente in perpetuam.

Em seu testamento instituiu nas Ordens T. Dominica e Franciscana um legado de 50 broas de pão para serem distribuídas anualmente por cada uma delas a outros tantos terceiros pobres, À Santa Casa da Misericórdia legou o remanescente de sua herança com o obrigação de se dar o ensino primário a tantos meninos e meninas que ser possa da freguesia de Mascotelos dando-se a calda um destes anualmente no aniversário de seu falecimento uns socos e um lenço.

Havia em vida mandado construir na mesma freguesia o formoso cemitério paroquial, primeiro do concelho, onde quis ser sepultado e onde jaz num modesto mausoléu em que se acha gravada a seguinte inscrição: - Aqui jaz o Reverendo António José Lisbão, nascido em S. Pedro do Sul a 7 de Fevereiro de 1802. Foi pároco desta freguesia de Mascotelos desde 2 de Janeiro de 1846 até 20 de Dezembro de 1865. Deixou um legado perpétuo a esta freguesia e mandou construir este cemité io. Faleceu em Guimarães a 23 de Agosto de 1876. Non recedet memoria ejus. (Ecles. cap. 30 v. 13.) P. N. A. M. -

A data do termo da paroquialidade não é exacta, apesar de ser transcrita do seu testamento, pois no arquivo paroquial de Mascotelos existem assentos lavrados e assinados pelo rev. Lisbão a 24 de Novembro do 1867.

Em uma sessão de assembleia-geral da Sociedade Martins Sarmento do ano de 1882 por proposta da direcção fez-se honrosa comemoração deste nosso patrício adoptivo como um benemérito da instrução primária deste concelho.

Espancar as trevas do espírito e vestir os nus, são os títulos preciosos que recomendam o rev. Lisbão à nossa respeitosa veneração.

O seu retrato acha-se na galeria dos benfeitores da Misericórdia, Ordens de S. Francisco e S. Domingos e na sacristia da Igreja paroquial de Mascotelos.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 42, Guimarães, 21 de Agosto de 1884]

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