26 de fevereiro de 2008

Outros Carnavais: o de 1857 (5)

O Entrudo. - Passou-se este folguedo desatinado, sem que víssemos um único desses jogos bárbaros, com que, há bem poucos anos, os cidadãos se maltratavam reciprocamente. Na terça-feira, dia chamado vulgarmente de entrudo, vimos centenares de pessoas correrem as ruas da cidade atrás dos máscaras, sem que ocorresse o menor desgosto, ou perturbação da ordem. Entre muitas exibições demos particular apreço ao Engajador – ao que solicitava acções para a companhia Viação Portuense - e, sobretudo, ao Engenheiro, e seus sequazes que vinham planear as estradas nas diversas direcções da cidade, todos vestidos em carácter, e com os instrumentos próprios, não esquecendo após este grupo o cofre aberto para receber as contribuições.

À noite houve igual enchente à do Domingo no teatro de D. Afonso Henriques, e dançou-se com desespero, mas bem. A não ser certos figuros da íntima classe, que ainda vimos empoados diríamos: que nem a memória já existia do antigo entrudo.

[A Tesoura de Guimarães, n.º 50, Guimarães, 27 de Fevereiro de 1857]

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