21 de janeiro de 2008

Vimaranenses: Jerónimo de Barros Ferreira

"Santa Auta". Gravura a buril e água-forte de José Lúcio da Costa a partir de obra de Jerónimo de Barros Ferreira, 1783. Da col. da SMS.


Deu Guimarães o berço, a este nosso ilustre conterrâneo no dia 3 de Dezembro de 1750, sendo filho de pais oriundos de S. Tiago da Faia, em Basto.

Dedicou-se à pintura tendo por mestre a Miguel António do Amaral. Desenhava com facilidade e felicidade e primava muito principalmente em flores e ornatos. Arquitecto inspirado miniaturista exímio e retratista notável são valiosos os seus retratos, como o atestam os de D. Maria I, os dos pais de D. Miguel Pereira Forjaz e o do seu Amigo, o pintor António Caetano, sendo ente muito apreciado pelo célebre Rackinski, que louvando o seu colorido, diz que ele se aproxima bastante da escola flamenga.

Lisboa ainda hoje se exorna louçã com as produções grandiosas do artista vimaranense, testemunhando ali ainda hoje a sua passagem gloriosa a abóbada do altar das Trinas ao Rato, a abóbada da capela de Santa Brígida, na fregueia do Lumiar, o tecto da sala de jantar do palácio do Marquês de Marialva, os aposentos do palácio de D. Miguel Pereira Forjaz na Cruz da Pedra, o tecto de um dos quartos do Marquês de Niza em Xabregas, etc.

Pintor, arquitecto e retratista, caricaturista e gravador em água forte - tendo nesta especialidade por discípulo a Gregório Francisco de Queirós - militou ainda na república das letras, traduzindo do francês a “Arte de Pintar” de Fresnoy.

Na sua múltipla actividade e aptidão sucedeu a Pedro Alexandrino de Carvalho na pintura dos coches reais, que encheu de deuses de fábula e de várias figuras alegóricas.

Era tão entusiasticamente afeiçoado à sua arte este notável de Guimarães, que na Capital franqueava gratuita e generosamente a sua casa a quantos ambicionavam aproveitar-se das suas instruções pictóricas, acompanhadas sempre de exemplos práticos.

Casado com Antonieta Engrácia de Deus e Silva, desta houve um filho e uma filha. que baptizou com os singularíssimos nomes de Silêncio Cristão e Vigilância Perpétua.

Chegou ao termo da sua carreira laboriosa e brilhante a 30 de Outubro de 1803, guardando-se as suas cinzas respeitáveis no claustro do convento de Nossa Senhora de Jesus, da Ordem terceira da penitência, em Lisboa.

[João Gomes de Oliveira Guimarães, in O Espectador, n.º 5, Guimarães, 29 de Novembro de 1883]

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3 comentários:

Anónimo disse...

Olá, estou a fazer um estudo para uma disciplina da faculdade de Letras da Universidade de Lisboa acerca das pinturas do Coche de D. Maria Francisca Benedita (1777)exposto no Museu Nacional dos Coches em Belém. Embora se diga que sejam da autoria de Pedro Alexandrino de Carvalho, eu encontrei mais duas outras hípoteses de pintores. Uma delas é Jerónimo de Barros Ferreira. Gostaria de saber se isso será possível, já que o documento aqui exposto frisa o facto de ele ter pintado paineis de Coches e onde poderei encontrar documentação relativamente ao trabalho dele ou mesmo algum tipo de confirmação desta suspeita... Já agora, até que ano Pedro Alexandrino de Carvalho pintou?
Obrigada

aan disse...

Não podemos ajudar muito. Pedro Alexandrino viveu até 1810. Em 1785, foi nomeado por Pina Manique para a célebre Academia do Nu. Portanto, em 1777 ainda pintava e pintaria por muitos anos. A crer no que escreveu Oliveira Guimarães, é possível que algum dia tivesse deixado de pintar coches, passando essa função a Jerónimo de Barros Ferreira. De qualquer modo, este último morreu em 1803, antes de Pedro Alexandrino de Carvalho.

Anónimo disse...

Muito obrigada de qualquer forma. Vou tentar procurar o contrato da obra na Torre do Tombo.. ou então irei percorrer alguns palácios onde a princesa viveu para ver se encontro algum tipo de documento. Já tirei cópias do dicionário de pintores e escultores portugueses de Fernando Pamplona. E vou procurando obras dos artistas para comparar os seus traços.