20 de outubro de 2007

Sobre o Chafariz do Toural

Chafariz do Toural (detalhe) | Fotografia de Eduardo Brito

Francisco Craesbeeck, nas suas Memórias, deixou-nos uma curiosa notícia sobre o processo de construção do Chafariz do Toural (actualmente no jardim do largo Martins Sarmento) , cuja taça central veio de Gonça, puxada por trinta juntas de bois:

Nesta freguesia [S. Sebastião] fica o grande campo de Toural, que, pela parte do Nascente, é todo guarnecido do muro da vila, e do poente, de casas nobres; nele se fazem todos os festejos que na vila há, assim pela sua grandeza, como pelo sítio para tudo acomodado. No princípio dele, da parte do Norte, está um grande cruzeiro, muito levantado, muito bem pintado, e fronteiro a ele, para a parte do Sul, a fim do dito campo, um grande chafariz, com muitas bicas e vários assentos à roda, onde a Nobreza vai recrear-se no Verão, todas as tardes; foi feito o dito chafariz no ano de 1588 e fê-lo Gonçalo Lopes, imaginário, que morava na rua da Caldeira, e veio a taça do meio da Gonça, trouxeram-na 30 juntas de bois, veio pelo Miradouro, que rodeou de Gonça ao Miradouro, por ser o caminho mais chão; e vinham cortando matos e derrubando casas, para a dita taça vir a seu gosto do imaginário; e à custa de el-Rei se tornaram a levantar as ditas casas, porque para este chafariz deu el-Rei quarenta mil réis na imposição, cada ano, até se fazer. Eram Vereadores neste ano: Bento de Azevedo e Valentim de Macedo; e Procurador do Concelho, Gaspar Moreira, da rua de Gatos. E assim o deixou em lembrança, nas suas memórias, feitas no ano de 1605, António de Figueiredo Lagarto. Em mesmo ano, se mudou o pelourinho da Praça, aonde estava, para perto desta fonte, defronte da alfândega, onde agora está; e se pintaram as armas de sobre o cano da praça e se fez a Senhora que está sobre o dito cano. Fizemos memória do sobredito, para ficar perpétua e se não perderem as notícias das cousas antigas, que para isso só há o meio da escritura, que é memorial de lembrança.

(in Francisco Xavier da Serra Craesbeeck, Memórias Ressuscitadas da Província de Entre-Douro-e-Minho no ano de 1726)

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