2 de maio de 2017

Ruas antigas: rua de S. Francisco e rua de Vila Verde ou dos 120

Rua de Vila Verde

A rua que, encostada ao hospital da VOTSF, desce desde o terreiro das Carvalhas até ao Rio de Couros é a rua de S. Francisco. Atravessando o rio, na rua de Além Rio, actual largo do Cidade, entra-se na rua de Vila Verde, cujo nome não tem segredo: uma vila, entre outros significados, poderia ser uma fiada de casas, geralmente iguais, dispostas ao longo de um corredor, como parece ser o caso desta rua, onde moravam operários surradores e curtidores; o ser verde, virá, certamente, da cor da vegetação que cobria aquele espaço, quase escondendo o casario, como parece perceber-se da mais antiga fotografia panorâmica de Guimarães até hoje conhecida.

A rua de Vila Verde termina na Avenida Velha, antiga Avenida da Indústria, que hoje leva o nome do rei D. João IV. Pelo que se percebe, antigamente não acabaria aí, prolongando-se em direcção à Fonte Santa, como se infere do que escreveu o Padre Torcato Peixoto de Azevedo, quando contava a história do fundador do primitivo mosteiro de S. Francisco, S. Gualter:

Este mosteiro de S. Francisco se conta pelo terceiro da Ordem Seráfica, é casa de noviciado e tem tido por muitas vezes colégio, logra o privilégio de ser depósito do corpo de S. Gualter, do qual é opinião sem controvérsia que foi de nação Francês, como refere António de Souza de Macedo,  entrou nesta vila em companhia do bem-aventurado S. Francisco, e em Vila Verde fez uma limitada pousada para si, e seus companheiros, de donde o Santo saía a curar enfermos, e a pregar a doutrina evangélica, obrando muitas maravilhas em vida, como fez depois de morto. Ali entregou a alma ao seu Criador; e quando seus companheiros se mudaram para o hospital do Anjo, seu corpo ficou no mesmo oratório de Vila Verde, e como o lugar ficou desamparado, intentou o cabido da real Colegiada trasladar estas relíquias para a sua igreja, mas por mais diligências que fizeram nunca foi possível remover o sepulcro.
Padre Torcato Peixoto de Azevedo, Memórias Ressuscitadas da Antiga Guimarães, manuscrito de 1692, edição de 1845, Cap. 92, pág. 344. 

À rua de Vila Verde, o engenheiro Almeida Ribeiro, e mais ninguém que eu conheça, a não ser os que o citam, dá um outro nome:

[Com] respeito ao Largo da Rua de Couros e as demais ruas compreendidas entre o Terreiro de S. Francisco e a Rua dos 120, tracei na planta os melhoramentos que me parecem deverem ser adoptados. Não deixarei de dizer que a comunicação que estabeleço entre o Terreiro de S. Francisco e a Rua de Além do Rio é bastante dispendiosa, porque comporta a demolição completa de um lado inteiro da actual Rua de S. Francisco, mas a simples inspecção da planta mostra que, sem este sacrifício, não se pode aformosear, nem colocar em boas condições, esta parte da cidade.
Memória descritiva do Plano de Urbanização do Eng. Almeida Ribeiro (1863)

Rua dos 120. Confesso a minha ignorância: não sei quem sejam, ou o que sejam, esses 120. Por mais voltas que dê, não encontro a razão de ser desta designação. A única hipótese que se me afigura é a de que poderiam ser militares, já que, com alguma frequência, aquele era o número dos praças que compunham destacamentos militares que chegavam a Guimarães. Se forem tropas, falta saber com que feitos e em que guerra ou revolução, acontecida antes de 1863, ganharam o direito de dar nome a uma rua de Guimarães.

Partilhar:

0 comentários: