5 de maio de 2013

As poesias de António Lobo de Carvalho (14)


Ao mesmo fidalgo nascendo-lhe um filho em dia de Santa Rita.



Santa Rita, a impossíveis consagrada,
Todo o mundo a respeita com fé pia;
Cássia o diga, que incrível romaria,
Não cobre o seu altar, a sua entrada:

Mas com a ilustre Condessa atribulada
Na acção do parto, cuja dor sentia,
Que fez a santa? Emprestar-lhe o dia,
Mas além disto não lhe fez mais nada:

Mais fiz eu, que observando o meu planeta,
Bem que sou dos futuros língua fraca,
Vaticinei um Conde em linha recta:

Morda-se a inveja agora ímpia, e velhaca;
E em tanto acendereis a este profeta
Três velas de calção, véstia, e casaca.

No soneto anterior, o Lobo apostara com o Conde da Calheta que era capaz de adivinhar qual o sexo do filho que a condessa trazia do ventre. Antecipou-lhe que nasceria um varão. Se acertasse, pedia como prémio uma casaca. Como o vaticínio bateu certo, António Lobo de Carvalho escreve um soneto a reivindicar a sua recompensa. Porém, não se satisfazendo com a casaca da aposta, espera que a sua profecia seja recompensada com um traje completo.

É possível datar este soneto de finais de Maio de 1783 (o primogénito do Conde nasceu no dia 22 de Maio de 1783)
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