10 de maio de 2013

As Poesias de António Lobo de Carvalho (19)


À vez primeira que o autor entrou em casa de João Ferreira, um dos primeiros homens, e o mais benemérito do nome de bom amigo.



Entro em casas de Condes e Marqueses,
E em panos vejo, aos persas imputados,
Homens sem braços, outros degolados,
Tudo ao dente dos ratos portugueses:

Vou mais dentro, e diviso trinta arneses ,
Com mil teias de aranha eclipsados;
Dois saguins me esperam pendurados,
Que são de casa os servos mais corteses:

Ao som do chá, que bebo em louça grossa,
Tosse o fidalgo, falo-lhe a seu jeito,
E em prosa e verso muita pela almoça:

Da porta enfim lhe aparto o pé direito...
Ah bom Ferreira, quem só fora à vossa!
Que alto negócio não teria feito!
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