21 de março de 2013

João de Meira, poeta


João de Meira

João de Meira foi um poeta cujos versos chegaram a passar por obras de Antero de Quental ou de Cesário Verde. Aqui fica um dos seus poemas, no dia em que o Mundo celebra a poesia.


No verso de um retrato

Ao José Bruno.

Qual o doce ribeiro, que de leve
Atravessa mil prados e campinas,
E depois parte as águas que recebe
Em duas veias puras, cristalinas,
Juntas as nossas vidas, tempo breve,
Se apartaram, depois, por várias sinas
E agora vão correndo, de ano a ano,
Pobres vidas, de engano em desengano.

Mas se a água dos rios não percebe
Saudades de outras águas diamantinas,
Não são gémeas das águas, nem se deve
Às aguas comparar vidas tão dignas,
Que por longe que o triste fado as leve
Saudade vem juntar as peregrinas
Sem esperar que ao fim de tanto engano
As junte a Morte, que é profundo oceano.

João de Meira.


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