21 de fevereiro de 2009

A Estátua de D. Afonso Henriques (6)

Avelino Guimarães

Continuando os trabalhos para a erecção em Guimarães de um monumento a D. Afonso Henriques, discutiu-se a ideia de que ele tomasse a forma de "uma instituição viva de ensino ou auxílio às letras e às indústrias", de acordo com sugestão de Avelino Guimarães, da Sociedade Martins Sarmento.

Monumento a D. Afonso Henriques

Na reunião que na passada quinta-feira teve a comissão central dos trabalhos para a erecção deste monumento, foi apresentada uma mensagem da Associação Martins Sarmento em que na forma da proposta do seu digno vice-presidente dr. Avelino Guimarães, que já aqui publicamos em um dos passados números, se chamava a atenção da comissão para a conveniência de que o projectado monumento seja antes uma instituição viva de ensino ou auxílio às letras e às indústrias, do que uma obra fria de mármore ou bronze. A mensagem; que é extensa e muito bem escrita, foi, como não podia deixar de ser, tomada em consideração pela comissão, para oportunamente se resolver a seu respeito.

A propósito convém dizer que a resolução a respeito de qual deva ser a espécie de monumento a erigir ao imortal fundador da monarquia portuguesa, depende de muitas e variadíssimas circunstâncias, entre as quais a primeira e principal é a vontade dos subscritores, especialmente dos do Brasil de onde veio o incitamento e onde, pelo que se vê dos jornais, a ideia predominante padece ser a de estátua, suposto que também a par desta apareça a de uma qualquer instituição ou estabelecimento literário.

Nada pois está ainda resolvido a tal respeito, como parece que já por aí se afirmava, e quer-nos parecer que ainda é cedo para se resolver. Foi nesse sentido que a comissão tomou em consideração a mensagem aludida, que, se representa, e muito louvavelmente, mais uma valiosa afirmação de quanto a benemérita Sociedade Martins Sarmento se esforça por promover nesta cidade o desenvolvimento da instrução, não é todavia uma resolução feita, é apenas o voto de uma respeitabilíssima corporação estranha à comissão.

E, continuando agora na notícia da reunião da referida comissão, devemos acrescentar que se resolveu abrir na próxima segunda-feira a subscrição em Guimarães, indo a comissão incorporada solicitá-la pessoalmente de cada um dos nossos briosos compatrícios.

Religião e Pátria, 32.ª série, n.º 49, Guimarães, 9 de Dezembro de 1882

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