17 de junho de 2008

Guimarães, 18 de Junho de 1808

Na tarde de 18 de Junho de 1808, com Junot a governar Portugal a partir de Lisboa e o famigerado General Loison, o Maneta, a ameaçar por perto, o povo de Guimarães levantou-se e ergueu a sua voz aclamando o Príncipe Regente D. João, futuro rei D. João VI. Para assinalar esta data e os actos heróicos que se lhe seguiram, a Sociedade Martins Sarmento organizou uma exposição comemorativa sob o título O Tempo Tão Suspirado. A inauguração terá lugar no dia 18, pelas 17:30. Na altura, será lançado o catálogo da exposição, que certamente se tornará numa obra de referência para a compreensão daquele período tão conturbado da nossa história local e nacional.

O catálogo inclui, entre outros textos a transcrição integral de uma pequena obra, muito rara, publicada naquele mesmo ano de 1808, a Relação do que se praticou em Guimarães, em aplauso da feliz restauração deste reino, de onde transcrevemos o excerto que se segue:

“A sempre fiel, nobre, e valorosa Vila de Guimarães, que tem a honra de ser o berço dos seus primeiros Reis, e da Nobreza do Reino, em todo o tempo da sua existência se tem confiantemente mostra-o digna desta singular prerrogativa. Ela foi a primeira das Cidades, e Vilas da sua Província a quebrar animosamente os duros ferros da escravidão Francesa na tarde do sempre memorável dia 18 de Junho deste corrente ano de 1808, e sem rebuço, e com o mais decidido entusiasmo, e valor gritou Vivas, e Aclamações aos nossos legítimos Soberanos, a nossa liberdade, e Santa Religião, passando logo a render graças ao Altíssimo, cantando-se uma devota Ladainha a Nossa Senhora da Oliveira; formando-se uma solene Procissão com os Retratos de S. Majestade, do Príncipe Regente Nosso Senhor, e da Princesa Nossa Senhora, levados debaixo do Pálio pelas primeiras Dignidades do Cabido, tremulando na frente da dita Procissão os Estandartes Reais, e sendo ela dirigida pelas ruas mais públicas, no meio dos Magistrados, Clero, Nobreza, e imenso Povo, e recolhendo-se à Colegiada, onde se cantou Te Deum laudamus entre lágrimas de alegria.

Ela se distinguiu em os dias seguintes, marchando os seus habitantes às margens do Douro a perseguir a divisão Francesa, comandada pelo ímpio, e sanguinário Loison, de que muitos dos mais esforça dos com valor, e coragem própria de almas grandes, o foram bater até à Cruz da Camba, mais confiados na protecção, e amparo da Senhora da Oliveira sua Patrona, do que nas poucas, e ferrugentas armas, que levavam, fazendo aclamar a Restauração do Suavíssimo Governo do Príncipe Regente Nosso Senhor em todas as Vilas, Cidades, e Povoações, por onde passavam.”

Anónimo, Relação do que se praticou em Guimarães, em aplauso da feliz restauração deste reino, Lisboa, Na offic. de Joaquim Tomaz de Aquino Bulhões 1808.


[Também publicado aqui]
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