Consumado, mas não explicado. (III)


A propósito do(s) parecer(es) do ICOMOS-Portugal sobre o parque de estacionamento da Caldeiroa e a candidatura para a inclusão do arrabalde de Couros na área classificada pela UNESCO como Património Mundial, continua a saber-se muito pouco, apesar do muito que se tem dito. À presidente do ICOMOS-Portugal foram dirigidas diversas acusações, algumas graves, quer pelo presidente da Câmara, quer pela responsável do Gabinete de Couros, que chega a afirmar que o parecer sobre o projecto do parque é “a desvirtuação completa da dignidade do ICOMOS”, aludindo a supostas divergências entre a Presidente daquele organismo e os seus dois vice-presidentes.
Pelo seu lado, a presidente do ICOMOS-Portugal tem sido parca em declarações, optando por um registo de contenção que não tem sido adoptado pelos responsáveis do lado de Guimarães. No entanto, já respondeu ao essencial. Está num artigo do jornal Mais Guimarães, assinado por Luís Freitas, onde se lê:
Contactada pelo Mais Guimarães, Maria Ramalho, presidente do ICOMOS, explica que acompanhou o processo de perto: “Estivemos em Guimarães, não só os meus colegas, mas eu, pessoalmente visitei o local com técnicos da Câmara Municipal de Guimarães, além disso, consultei toda a documentação do processo exaustivamente”. A presidente do ICOMOS acrescenta ainda que Domingos Bragança sabia da sua visita e “só não reuniu porque não quis”. Sobre o parecer, Maria Ramalho acrescenta que este é negativo, mas insere-se no âmbito de algo “que achamos que é positivo”, no caso, a intenção de alargar a zona classificada como Património Mundial. Segundo a presidente da organização não-governamental, o resultado do parecer deve-se às “dimensões e ao impacto irreversível” que o parque gera, “entrando em contradição com a proposta relativa à zona de Couros”. Quanto à suposta não unanimidade dentro da ICOMOS no que toca ao parecer, Maria Ramalho é peremptória: “todos os colegas acham que há impacto negativo pela construção do parque, quanto ao parecer negativo, ele é responsabilidade minha que sou a presidente do ICOMOS”.

Como facilmente se percebe, o que diz a presidente do ICOMOS-Portugal contraria por completo o que foi dito pelos responsáveis vimaranenses, adensando dúvidas que só serão esclarecidas quando o bom-senso mandar tornar públicos o(s) parecere(s) da discórdia.

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PS: Quando acabava de escrever este texto, recebi a informação de que a Câmara Municipal de Guimarães tinha, finalmente, disponibilizado os documentos do processo do parque da Caldeiroa, incluindo o parecer do ICOMOS-Portugal. Mais vale tarde que nunca. A ler com atenção. Está aqui.

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