Efemeridário para 2019

Luís Cardoso Martins da Costa Macedo, Conde de Margaride (1836-1919). Retrato da colecção da Santa Casa da Misericórdia de Guimarães.

2019 será ano para muitas comemorações. Várias instituições celebram datas redondas (a Associação Artística, a Venerável Ordem Terceira do Carmo, a Banda de Música de Pevidém, a Biblioteca Pública Municipal, a Unagui). Assinalam-se empresas que nasceram (como a firma Alberto Pimenta Machado & Filhos, fundada há 100 anos) ou que desapareceram (como a Fábrica do Cavalinho, que faliu há um quarto de século). Celebra-se o nascimento de vimaranenses que se destacaram, como o Frei Jerónimo de S. José, e a morte de vultos proeminentes, como o Conde de Margaride, o cientista Roberto de Carvalho ou o incansável coleccionador das efemérides vimaranenses, João Lopes de Faria. Nos acontecimentos desportivos, destaca-se o cinquentenário da primeira participação do Vitória Sport Clube em competições europeias.
Neste ano, assinalam-se também alguns momentos paradigmáticos da história de Guimarães, a começar pela unificação da jurisdição não concelho, decretada pelo rei D. Fernando há 650 anos, unificando a jurisdição das duas vilas (a do Castelo e a do Concelho), passando a haver apenas “um povo e um concelho”, ou a aprovação do primeiro PDM ou o anúncio da decisão de candidatar o Centro Histórico a Património Mundial, há 25 anos.
A lista é longa. Aqui fica.


Efemérides de 2019
Há 700 anos
02–01–1319: Após autorização do arcebispo de Braga, D. João de Soalhães, a Colegiada de Guimarães e o convento de Santa Clara de Vila do Conde permutaram os padroados das igrejas de Vila do Conde, que, até aí, pertencia à Colegiada, e de Murça, que estava na posse do convento de Vila do Conde.


Há 650 anos
20–09–1369: Por carta régia passada em Coimbra, em que concedia diversas graças e mercês ao concelho de Guimarães, o rei D. Fernando unificou a jurisdição dos juízes do concelho e da vila do Castelo, de modo a que passassem a ser apenas “um povo e um concelho”, e extinguiu as quatro feiras anuais, cada qual com a duração de quatro dias, que se realizavam no castelo desde o tempo do rei D. Afonso III, substituindo-as por uma feira semanal, em dia e local escolhido pelo concelho.


Há 400 anos
23–10–1619: A Câmara mandou consertar a ermida de S. Lázaro, na rua de Gatos (actual D. João I), de que era administradora.


Há 300 anos
22–03–1719: Faleceu em Lisboa, no Convento da Graça, onde tinha professado no 5 de Junho de 1654, o vimaranense D. Fei José de Oliveira, padre eremita agostiniano. Foi Doutor em Teologia pela Universidade de Coimbra. Sagrado bispo de Angola, por designação do rei D. Pedro II, não chegou a exercer as funções devido à fragilidade da sua saúde. Destacou-se como orador sagrado. Os seus sermões foram publicados em cinco volumes. Nasceu na freguesia de S. Sebastião, a 4 de Fevereiro de 1638. Era filho de António Gonçalves e de Isabel Antunes.
04–10–1719: Nasceu em Guimarães, na freguesia de S. Sebastião, o futuro Frei Jerónimo de S. José, filho de Pedro Duarte Guimarães e de Escolástica da Silva. Professou em 1738 no convento de Santarém da Ordem da Trindade. Foi cronista, regedor e visitador apostólico da sua ordem. Deixou publicadas diversas obras, com destaque para os dois tomos da História cronológica da esclarecida Ordem da Santíssima Trindade e Redeão de cativos, da província de Portugal, impresso em 1789 e 1794. Faleceu em Lisboa a 2 Abril de 1809


Há 200 anos
08–01–1819: Concluem-se as obras do Paço dos Duques, cobrindo-o com telhado, para servir de quartel militar.
13–01–1819: Provisão régia concedendo o título de fábrica real, com os privilégios daí decorrentes, à fábrica de curtumes de sola e de bezerros de Joaquim José Peixoto, de Guimarães.


Há 150 anos
20–01–1869: Inauguração da Real Fábrica de Tecidos de Algodão, Linho e Lã, a funcionar no lugar de Caneiros, em Fermentões, em modo de produção manual. Pertencia à firma comercial de Guimarães, Filho e Sobrinho. O título de real foi-lhe concedido por portaria do rei D. Luís e do infante D. Augusto.
30–03–1869: Instalação da Ordem Terceira do Carmo, em substituição da Irmandade com o mesmo nome.
12–05–1869: Instalação em Guimarães de uma filial da associação arqueológica de Lisboa (fundada por Joaquim Possidónio Narciso da Silva, com a designação de Associação dos Arquitectos Civis Portugueses, depois Associação dos Arqueólogos Portugueses). Era dirigida por uma comissão presidida pelo presidente da Câmara, o Visconde de Santa Luzia, e composta pelo Barão de Pombeiro (vice-presidente), Bento Cardoso (suplente do vice-presidente), Luís Cardoso Martins de Macedo (secretário), Francisco Martins Sarmento (tesoureiro), além de Luís Martins da Costa, cónego António Joaquim de Oliveira Cardoso, cónego José Bento Ribeiro de Agra, José Sampaio, Alberto Sampaio e António Inácio Pereira de Freitas, vogais. Por aquela altura, Martins Sarmento ainda não tinha iniciado as suas prospecções arqueológicas na Citânia de Briteiros.
04–06–1869: Um incêndio de grandes proporções, que deflagrou por volta das duas horas da madrugada, reduziu a cinzas todos os edifícios do lado do norte do Toural, com excepção do que ocupava a esquina com a rua Paio Galvão, por ser de pedra, provocando quatro mortos (suspeitava-se de que tivessem sido mais, por na mesma altura terem desaparecido alguns carpinteiros de fora, que trabalhavam em Guimarães), e muitos feridos. O sinistro iniciou-se num armazém com produtos inflamáveis e explosivos pertencente ao negociante João José de Sousa Aguiar.
10–11–1869: Data da fundação da Associação Artística Vimaranense, projectada desde 1866. Neste dia, foi publicado o decreto que aprova os seus estatutos, que seriam confirmados por alvará com a data de 15 de Novembro de 1869. Esta associação, com objectivos filantrópicos, começou a funcionar do dia 30 de Janeiro de 1870, com a instalação da sua primeira direcção, presidida por José Luís Dias Guimarães.
1–12–1869: Inauguração da biblioteca pública municipal. Começou por funcionar no antigo convento de S. Domingos, tendo como bibliotecário José Ferreira Mendes de Abreu, O Fato”.
21–12–1869: Morte de Bernardo Correia de Almada e Castro, 2.º visconde e 1.º conde da Azenha. Seria sepultado dois dias depois na sua capela na igreja de S. Francisco.


Há 125 anos
31-12-1894: Fundação da Banda de Música de Pevidém (a data é a da comemoração do cinquentenário, em 1944).


Há 100 anos
19–01 a 13–02–1919: Guimarães vive dias turbulentos, sob o domínio monárquico, enquanto vigorou o poder contra-revolucionário que ficou conhecido como a “Monarquia do Norte”.
19–03–1919: Entrega do Convento dos Capuchos à Oficina de S. José. (actual Centro Juvenil S. José)
1-07-1919 : Fundação da firma Alberto Pimenta Machado & Filhos.
30-07-1919: Falecimento de Luís Cardoso Martins da Costa Macedo, primeiro Conde de Margaride.


Há 75 anos
1-03-1944: Conferência de Teixeira de Pascoaes na Sociedade Martins Sarmento, em que discorreu sobre o tema “Considerações de um poeta sobre a sua poesia”.
10-11-1944: Falecimento de João Lopes de Faria paleógrafo e incansável compilador das memórias de Guimarães, a quem o pintor Abel Cardoso chamou, carinhosamente, Dicionário de Guimarães. Por testamento, deixou os seus manuscritos à Sociedade Martins Sarmento.
27-11-1944: Falecimento do vimaranense Roberto de Carvalho, cientista, reputado professor de medicina e pioneiro da radiologia portuguesa.


Há 50 anos
31-01-1969 Gilberto Freyre, diplomata, antropólogo e escritor brasileiro, visita Guimarães, sendo recebido na Sociedade Martin Sarmento.
27-02-1969: Anúncio público da instalação da Associação Recreativa da Marcha Gualteriana, autorizada por alvará de 16 de Outubro de 1968, e apresentação dos seus primeiros órgãos sociais. João de Fátima Novais Nobre assumiu a presidência da direcção.
19-03-1969: O eng.º Duarte do Amaral, numa intervenção na Assembleia Nacional, onde era deputado, defende a elevação de Guimarães a capital de distrito.
26-04-1969: O Comércio de Guimarães noticia que o restaurante Virabar, de Júlio e António Martins, fora objecto de declaração de utilidade turística pela Secretaria de Informação e Turismo.
2-08-1969: Exposição de pintura de Abel Cardoso, na Sociedade Martins Sarmento
Novembro de 1969: Segunda exposição de pintura de José Guimarães na Associação Convívio, onde se estreara em 1964.
10-09-1969: Estreia do Vitória Sport Clube nas competições europeias, na já extinta Taça das Cidades com Feira, recebendo e vencendo o Banik de Ostrava, da antiga Checoslováquia (1-0). Na segunda mão, apurou-se para a segunda eliminatória, com um empate (1-1) em Ostrava. Cairia a seguir, frente aos ingleses do Southampton.
7-09-1969: Estreia do futebolista vimaranense Gualter Ferreira pelo Futebol Clube do Porto, para onde tinha sido transferido do Vitória Sport Clube no início daquela época desportiva. Em troca, além de algumas centenas de contos, o Vitória recebeu o passe do jogador Bernardo da Velha.


Há 25 anos
7-01-1994: Em reunião promovida pelo governador civil de Braga, Fernando Alberto Ribeiro da Silva, em que participaram o Sindicato Têxtil, a Segurança Social e o Instituto de Emprego, foi dada como irreversível a falência da Sociedade Mercantil do Minho, SARL (Fábrica do Cavalinho), fundada em 1923 na casa onde vivia Alberto Vieira Braga, na esquina da rua Paio Galvão com a rua D. João I.
25-01-1994: Acto público da fundação da UNAGUI – Universidade do Autodidacta e da Terceira Idade de Guimarães, que funcionava provisoriamente nas instalações da Assembleia Vimaranense.
25-01-1994: Inauguração do quartel da Polícia de Segurança Pública, projectado pelo arquitecto Fernando Távora.
6-02-1994: Fuga rocambolesca do estabelecimento prisional de Guimarães. Aproveitando a distracção dos guardas prisionais com um Benfica-Porto, em futebol, cinco presos escaparam da prisão, depois de terem serrado as grades. A evasão teria sido organizada por José Pereira de Freitas, conhecido como Zé Lingrinhas, de acordo com declarações do próprio, em telefonemas que fez para a Rádio Fundação, quando ainda estava em fuga. Seria detido dois dias depois, nas Caldas das Taipas, sem oferecer resistência.
18-07-1994: Aprovação pela Assembleia Municipal do primeiro Plano Director Municipal, dirigido pelo arquitecto Miguel Frazão.
3-11-1994: Em reunião da vereação, o presidente da Câmara, António Magalhães, anuncia que Guimarães iria apresentar candidatura do seu Centro Histórico a Património Mundial.

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