Avançar para o conteúdo principal

Mensagens

A mostrar mensagens de Outubro, 2016

Da monomania da corrida e da higiene na prática desportiva

Na tradição popular portuguesa, muito enraizada no Minho, o corredor é alguém que carrega consigo o peso de uma maldição que o atingiu no momento em que nasceu e sem que nada tenha feito para a merecer, a não ser nascer como sétimo (ou quinto) filho seguido do mesmo sexo e da mesma prol e a quem não fosse aplicado o “antídoto” prescrito pela sabedoria popular (no baptismo, dar ao recém-nascido o nome de Adão ou Eva, consoante os casos, e picá-lo com um alfinete num dedo, de modo a fazer correr uma gota de sangue). O corredor tinha que percorrer, todas as noites, um longo percurso, que passava por sete pontes, sete fontes, sete montes, sete encruzilhadas, sete portelos de cão e eu lembro-me dele sempre que passa por mim alguém a correr desalmadamente, como se também estivesse a correr um fado. É certo que há muitas diferenças entre o corredor de fado e o corredor da nova moda que por aí anda: o primeiro corria em solitário debaixo da pele de um bicho qualquer (lobo, cão, cavalo…) o ou…

Araduca ou Araduça?

"Serões Inquietos". 150 anos do nascimento de Raul Brandão Programa disponível aqui:














Na noite de 25 deste Outubro, a TSF instalou o seu estúdio na sede do Convívio, de onde emitiu a primeira edição do programa Serões Inquietos, dos jornalistas Pedro Pinheiro e Fernando Alves, dedicado aos 150 anos do nascimento de Raul Brandão. Uma conversa em busca do "Húmus" do Ser, em que tive o privilégio de participar e em que, logo no princípio, a propósito do nome deste blogue, ficou no ar uma dúvida sobre a possível ausência de um c cedilhado na palavra Araduca, passando a Araduça.  
A dúvida surgia a propósito de um dos raros e breves textos em que Raul Brandão fala expressamente de Guimarães, em que escreveu Araduça. Será Araduca ou Araduça? Ambas podem ser, e também Araduza. Nos textos dos historiadores e geógrafos antigos, o nome da cidade misteriosa a que se refere Ptolomeu na sua Geografia, e que muitos têm insistido em colocar no sítio onde hoje está Guimarães, surge …

Cerilhoto, ladripo, recintar, samagaio

O que têm em comum as palavras cerilhoto, ladripo, recintar e samagaio?
São vocábulos recolhidos em Guimarães, que Cândido de Figueiredo incluiu no seu Novo Diccionário da Língua Portuguesa, editado pela primeira vez em 1899. 
Mas há outras palavras, que nem sequer poderão ser classificadas como neologismos, por já terem muitos anos de curso corrente, que não constam nos dicionários portugueses e que, quando as temos que escrever em suporte informático, logo aparecem sublinhadas a vermelho, como quem nos recrimina por incorrermos em erros de ortografia. Não existem para os dicionários, sempre céleres a dicionarizar neologismos como empoderamento, metrossexual, mixologista, blogue e tantos outros, muitos  deles de duvidosa necessidade, por serem sinónimos de palavras já existentes na língua padrão.
Vem esta conversa a propósito das Nicolinas, que é o nome que se dá, há mais de um século, aos festejos que os estudantes de Guimarães dedicam ao seu padroeiro, S. Nicolau. Não consta dos dicio…

O meu primeiro milhão

Ontem, ao reler o que por aqui tinha escrito sobre o processo de Guimarães, Capital Europeia da Cultura 2012, pus-me a pensar em como eram diferentes as nossas conversas num tempo em que o Facebook ainda não existia ou em que era pouco mais do que um sítio na internet onde estudantes se dedicavam a exercitar a antiquíssima arte do engate. Talvez então nós julgássemos que não, mas havia muito mais tempo para o debate de ideias. Era o tempo em que cada um de nós lia aquilo que procurava e não o que um algoritmo qualquer decidia que poderíamos ter interesse em ler. É certo que ninguém nos lembrava dos aniversários dos nossos amigos, nem assistíamos a um desfilar de gente feliz e sem lágrimas, quase sempre de férias num paraíso qualquer, a comer lagosta e a beber gins tónicos em copos amaneirados, nem recebíamos convites para jogarmos candy crush saga, seja lá o que for isso, nem estávamos permanentemente a ser enxofrados com publicidade, nem tínhamos a sensação e estarmos a ser manipula…

Levantou-se e andou

Passam hoje dez anos sobre um anúncio que iria mudar a história de Guimarães e a sua relação com o Mundo. O dia 7 de Outubro de 2006 é uma data que deveria estar inscrita a tinta indelével na página principal das efemérides vimaranenses. Se houvesse memória para além do tempo presente, não nos tínhamos esquecido de assinalar a passagem da primeira década sobre a data em que a Ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, anunciou em Guimarães que esta cidade iria ser Capital Europeia da Cultura no ano de 2012.
Naquele sábado, realizava-se em Guimarães uma reunião informal do Conselho de Ministros, tendo na agenda a preparação da presidência portuguesa do Conselho Europeu, que iria acontecer no segundo semestre de 2007. Estava previsto que a conferência de imprensa que se seguiria a essa reunião seria aproveitada para fazer a apresentação pública de um projecto relevante para a Sociedade Martins Sarmento, que estava a ser preparado havia alguns meses. Do Ministério, disseram-me para não as…