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Mensagens

A mostrar mensagens de Junho, 2016

Ser da rua Nova

Eu nasci há cinquenta anos na Rua Nova, hoje chamada Egas Moniz. Eu nasci no meio de prostitutas, nasci no meio de bandidos e gente com pistolas na cinta, nasci no meio de tascos, nasci numa rua que não tinha saneamento, que não tinha água, que era em terra. Amadeu Portilha, vice-presidente da Câmara Municipal de Guimarães. In Revista Rua, n.º 4, Junho de 2016
Não começasse a citação que vai acima pela contextualização no tempo e no espaço do que se dirá a seguir, e éramos capazes de ficar a pensar se a cidade de que se fala não se situaria algures no remoto faroeste do tempo dos cowboys. Uma rua em terra, sem água nem saneamento e povoada de prostitutas, bandidos e gente de pistola à cinta, em meados da década de 1960 é muito difícil de conceber numa cidade de um país civilizado e, muito menos ainda, num pequeno país situado no extremo ocidental da Europa, onde imperava uma ditadura nada branda, mas muito extremosa nos seus cuidados que aplicava na conservação dos brandos costumes da s…

A Nossa Penha

O primeiro foi sobre os vimaranenses, o segundo sobre o trabalho, o terceiro, que ainda cheira a tinta fresca, é sobre a nossa Penha. São os Cadernos de Imagem da Secção de Fotografia do Cineclube de Guimarães, mas não são bem cadernos. Como nas edições anteriores, o Caderno de Imagens 3 é um livro, desta vez com muito verde, desenhado pelo Cláudio Rodrigues, e uma exposição, que está aberta no Museu da Sociedade Martins Sarmento. A não perder (depois, não digam que foi por falta de aviso…). Do texto que escrevi para o "caderno", deixo aqui as primeiras linhas:
Cidade que se preze da sua condição tem que ter um lugar que, pela sua altura, se impõe no horizonte próximo. A montanha sagrada, aquele lugar da paisagem onde a terra se introduz pelo céu adentro. A de Guimarães chama-se Santa Catarina, mas o povo deu-lhe nome de pedra bruta, de rochedo, imóvel, inamovível e imutável: é a Penha, o triângulo rochoso que o homem pintou de verde e que se recorta no horizonte, servindo-nos…