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Mensagens

A mostrar mensagens de Abril, 2014

Quando a liberdade estava a passar por aqui.

O autor deste blogue não se lembra de aqui ter publicado uma fotografia sua. Mas não resiste a publicar esta, apanhado no meio de um mar de gente.
Para onde olhava?
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Aquela quinta-feira começava como costumavam começar, por aqueles dias, as quintas-feiras: num anfiteatro do Liceu de Guimarães, com a cabeça suspensa nas nuvens, enquanto a professora se esforçava por ensinar os fundamentos da física ou da química, que só não se pode dizer que saíssem à mesma velocidade com que entravam, porque nem chegavam a entrar. A professora, já de si apequenada, naquele dia parecia ainda mais pequena, de tão enterrada na cadeira. Havia no ar qualquer coisa de diferente, que se percebia mais pelos silêncios do que pelas palavras. Alguém comentou que alguém dissera que alguém ouvira qualquer coisa, na rádio. Assim que pude esgueirar-me, fui para casa, liguei o velho aparelho, grande como um armário, rodei o botão de sintonizar e, por entre os ruídos espectrais e os assobios agudos da Onda Curta,…

Santos Simões, da resistência da Cultura à cultura da Resistência

António Ribeiro passou por aqui

Para o João
Conheci o António Ribeiro há mais de quarenta anos, mas esse era um conhecer distante. Era, simplesmente, o pai do Eduardo e o irmão do Eduardo Ribeiro. Era também um dos democratas do MDP que muito marcaram a geração a que pertenço. Um dia, haveria de contar-me as suas memórias da sua viagem a Moscovo, ainda em tempo de ditadura, para participar no Congresso Mundial da Paz de 1973. Logo após o 25 de Abril, integrou a comissão administrativa que assumiu os destinos da Câmara Municipal de Guimarães. É desses tempos que guardo, muito viva, a sua imagem a discursar, na Escola Francisco de Holanda, num comício durante a primeira campanha eleitoral para as autarquias locais, cumprindo uma missão que mais tarde percebi que ia contra a sua natureza: António Ribeiro não gostava de estar sob o foco dos holofotes.
Verdadeiramente, conheci o António Ribeiro a partir do final do Verão de 1990, quando Santos Simões me desafiou para integrar a direcção da Sociedade Martins Sarmento. Ao …

Tipos vimaranenses: o jacobeu, o zoilo, o pires e o burro

O modo de ser vimaranense é um interessantíssimo caso de estudo, daqueles que apaixonam os académicos que não têm nada de mais útil para fazer. Não tem faltado quem, decalcando Eduardo Lourenço, discorra longamente sobre a pretensa hiperidentidade das gentes de Guimarães, assumindo a existência de um homo vimaranensis, ramo da espécie humana que haveria de enquadrar na taxonomia de Lineu, caso não habitasse somente na imaginação de eruditos entediados. Em boa verdade, tal espécie não existe, uma vez que em Guimarães, como em toda a parte, se encontram bem representados todos ramos do género humano. Da natureza dos vimaranenses em geral já há muito que disse o que sabia. Hoje, por falta de mais que fazer, vamos falar de quatro subespécies que estão bem representadas no genótipo vimaranense, quatro filhos-de-algo: o jacobeu, o zoilo, o pires e o burro. Para identificar o jacobeu, não é preciso mais do que usar o nariz: tresanda à naftalina com que tenta esconder o ranço que lhe preenche…