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Teve o seu nascimento na Vila de Guimarães a 25 de Julho de 1109

D. Afonso Henriques. Escultura em bronze de João de Sousa Araújo, comemorativa dos 850 anos do Tratado de Zamora (pormenor). Torres Novas. Séc XX (1993).Fotografia de Eduardo Brito para a Exposição "Os rostos de Afonso Henriques" (SMS/2009)


D. Afonso Henriques, I. Rei.
Nenhum Príncipe mereceu mais justamente o título de Herói famoso, e o nome de primeiro Hércules Lusitano que o preclaro e soberano Rei D. Afonso Henriques; porque se meditarmos os preciosos trabalhos, que passou na ampliação da , e estabelecimento da Monarquia Portuguesa , não lhe fica o epíteto fabuloso, mas tão verdadeiro , que o excede.
Teve o seu nascimento na Vila de Guimarães (primeiro sólio, e Corte dos Príncipes Portugueses) a 25 de Julho de 1109, conforme o melhor cálculo; e sendo seu nascimento festejado, assim como era útil, moderou o contentamento de pais, e vassalos um defeito corporal em sua pessoa. Dos braços de sua ama Dona Ausenda passou logo à cultura, e instruções de Egas Moniz, varão de maduro juízo, e destinado para seu Aio. Este por contínuas deprecações alcançou da puríssima Virgem saúde , e desembaraço aos pés do príncipe, colocando-o por Divina revelação no altar da imagem da Senhora de Cárquere junto a Lamego, prodígio, que referem quase todos os nossos Historiadores , e de que parece duvidar Mons. de la Clede.
Corria o ano 1125, e o ínclito Príncipe contava dezasseis de idade, quando na Igreja Catedral de Zamora, que por este tempo estaria sujeita à coroa de Portugal, ele mesmo se armou Cavaleiro, tomando as insígnias militares do altar do Salvador.Passados dois anos, considerando-se já em idade competente de poder suster o ceptro, intentou dar princípio ao seu governo. Duvidou a Rainha sua mãe, que até ali governava , entregar-lhe o domínio, e foi preciso ao filho excluí-la por força de armas, e à custa de uma escandalosa batalha , que lhe ganhou no campo de S. Mamede junto a Guimarães em 24 de Junho de 1128.
Deste dia por diante ficou D. Afonso com absoluto senhorio de Portugal (…).


João Baptista de Castro, Mappa de Portugal, Volume 2, Na Offic. de Miguel Manescal da Costa, Impressor do Santo Officio., 1746, pp. 124-126

Comentários

Anónimo disse…
As cortes de Lamego nunca existiram, são uma fraude da altura, se não sabe informe-se.....é 1111 a data verdadeira
Obrigado por me ensinar, caro anónimo. Mas perdeu tempo. O que escreveu deve ser dirigido ao Padre João Baptista de Castro.Infelizmente, não lhe posso indicar a morada, uma vez que desde 1775 que não é visto.