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Mensagens

A mostrar mensagens de Novembro, 2011

E se o pinheiro fosse um pinheirinho?

O Pinheiro é o número das Nicolinas que, quando toca a interpretá-lo, mais discussões tem gerado. A crer numa linha de interpretação que vai fazendo o seu caminho, para os estudantes de Guimarães, velhos e novos, o pinheiro nicolino seria uma espécie de totem fálico, assumindo a representação simbólica da virilidade. Para apimentar e corroborar esta interpretação, vem sempre à colação a costumeira de sangrar e rebentar a pele dos bombos, à força de investidas com a baqueta, objecto cuja forma é suficientemente sugestiva para servir de ilustração a esta teoria. Todavia, pelo menos originalmente, o pinheiro não seria mais do que um pau para a bandeira que anunciava as festas a Nicolau e a pele do bombo e a baqueta seriam, simplesmente, a pele do bombo e a baqueta com que se proclamava a Guimarães e aos quatro ventos que o pinheiro estava a chegar.

Todavia, para além da conjectura do culto fálico, inegavelmente sedutora, são possíveis outras interpretações para o significado da presença d…

Pinheiro ao alto, festas começadas

Está o pinheiro erguido, estão as festas começadas. Para a maioria dos que participaram no cortejo do mastro que anuncia a festa dos estudantes de Guimarães, as festas a S. Nicolau já terminaram. Porque, para muitos, as Nicolinas resumem-se, impropriamente, à noite do Pinheiro.

Nova luz sobre a Guimarães do passado

Ao longo dos últimos tempos, acompanhei de perto o trabalho de Alexandre Reis, no âmbito da preparação da sua dissertação de mestrado em Ilustração. Trabalhou a reconstituição urbana de Guimarães nos séculos XVI e XVII, tomando como ponto de partida a planta quinhentista recentemente divulgada. Do seu trabalho ("Guimarães - Uma visão do passado - Estudo de reconstituição histórica, séculos XVI/XVII"), que resulta de um aturado processo de investigação sobre as fontes documentais conhecidas e que acaba de ser defendido na ESAP, com assinalável sucesso, resulta uma nova visão sobre a configuração de diferentes espaços urbanos de Guimarães no passado, que agora importa dar a conhecer.

Nico e Lino ao vivo na Sociedade Martins Sarmento

As mais jovens estrelas do firmamento nicolino, Nico e Lino, estarão na Sociedade Martins Sarmento a partir da próxima segunda-feira, dia 28 de Novembro, ensaiando para o Pinheiro.

Nico e Lino são dois robôs construídos e programados em Guimarães. São independentes, mas interagem em perfeita sintonia quando se juntam para executar o toque do Pinheiro, com os repiques, ratas e pranas da caixa e os toques enérgicos e varonis do bombo.

O estágio de Nico e Lino na SMS, acompanhados por mais de três dezenas de outros robôs, enquadra-se na Semana Europeia de Robótica, assinalada em Guimarães com um conjunto de iniciativas da Universidade do Minho e da SAR - Soluções de Automação e Robótica, e na celebração do 10.º aniversário da consagração de Guimarães como Património Mundial.

A exposição robótica tem entrada livre.

Como se mede um pinheiro?

Como se mede um pinheiro? Aos palmos? O gigante de 1863 media 96 palmos, o de 1881 “cento e tantos”, o de 1899 atingia os 115. Aos metros? Nunca menos de vinte: o monstro de 1904 atingia 25 metros, o de 1911 ficou-se pelos 21. Antigamente, media-se em juntas de bois. O Pinheiro era tanto maior quantas mais juntas de bois acompanhassem o seu cortejo. Colhendo informações nos jornais, sabemos que em 1881 “opinheiro ou mastro veio da freguesia de Antemil, pela estrada de Braga, puxado a 7 juntas de bois, precedido de uma coorte de tambores, ladeado de inúmeros archotes, e acompanhado por uma banda de música, tocando o hino escolástico”. Em 1883, o número de juntas subiu para doze. Em 1895, no ressurgimento das festas, já eram 26. Em 1900, o pinheiro foi puxado por “48 juntas de bois, nédios e bem armados”. Em 1904, foram “seiscentas, perdão, sessenta e uma juntas de bois tirando os carros em que vinha o pinheiro!”. Em 1906 formam 70 juntas, recordque seria batido em 1911, quando 79 (ou mesmo…

Bombos e música clássica

Tenho lido com curiosidade alguma polémica a propósito do agendamento para o próximo dia 29 de um concerto da Orquestra do Norte, a acontecer no Paço dos Duques. O evento nada teria de estranho, não fosse a coincidência de data com a do cortejo do Pinheiro, com que se assinala o início das Festas Nicolinas. Quanto ao facto em discussão, não tenho nenhuma dúvida de que resultará de um equívoco, uma vez que sei bem que em Guimarães ninguém no seu perfeito juízo e em plena consciência marcaria um concerto de música clássica para aquele dia e para aquele local, a não ser que o quisesse boicotar. Não pelo dano que pudesse causar à festa dos estudantes, que seria irrelevante, mas pelo efeito que teria sobre o concerto, que seria desastroso. A situação está esclarecida e resolvida. Mas não deixaria de ter o seu encanto escutar o mozartiano concerto para piano e orquestra N. 23 em Lá Maior acompanhado por um naipe de percussão composto por centenas de caixas e bombos nicolinos…
Da discussão qu…

Guimarães Nico e Lino

Um roteiro de visita a Guimarães, com toque Nicolino (e bem tocado). Guias: Nico e Lino. Feito em Guimarães.

Este é um vídeo de divulgação da Semana Europeia da Robótica, que decorrerá de 28 de Novembro a 4 de Dezembro.


PS: Faltaram os créditos. Aqui ficam: correndo o risco de deixar alguém de fora, porque os autores da obra não a assinam, ela tem, seguramente, a mão dos vimaranenses Fernando Ribeiro e Nino Pereira, que criaram o Nico e o Lino e lhes ensinaram, magistralmente, o toque do Pinheiro. Os robôs foram construídos com componentes Bot'n Roll (botnroll.com), também cá da terra.

Sempre o Toural

Quando falta um mês da para a conclusão das obras, o Toural já mostra a sua nova configuração. A intervenção em curso tem feito correr muita tinta e gerado discussões apaixonadas, em que muitas vezes têm sido esgrimidos argumentos contraditórios com a realidade que se pode observar no terreno: que iam transformar o Toural num “deserto” de granito, que lhe iam tirar as árvores, que deviam deixar o Toural como ele “sempre foi”.

E, em vez da monotonia granítica, vamos vendo que o novo Toural se vai fazendo com granito, mas também com muito quartzo, algum basalto, bastante calcário, e até - um luxo! - não pouca pedra lioz.

Quanto às árvores, basta contá-las: as que lá se plantaram agora são mais do que aquelas que existiam no Toural antes do começo das obras. É certo que ainda são de pouco porte, mas esse é um problema que só o tempo resolverá. Haja paciência, que as árvores são jovens e ainda têm muito para crescer.

Já o desejo de se voltar a ter o Toural como ele “sempre foi”, não será, nu…

Imprensa vimaranense (14)

Pasmatório

1. Pasmatório é, segundo os dicionários, a praça ou o lugar onde se juntam as pessoas para conversarem sobre o que vai acontecendo e sobre o que se vai dizendo. 2. Eis um tema de conversa no nosso pasmatório: não falta por aí quem, porventura investido de uma superioridade moral que se não sabe de onde lhe chega, reclame esclarecimentos e critique o “silêncio” de membros do Conselho Geral da FCG, entre os quais me incluo, relativamente aos termos do acordo que conduziu ao afastamento da anterior presidente da Fundação Cidade de Guimarães. Esclareça-se, portanto. Esclareça-se, em primeiro lugar, que se trata de um entendimento entre a FCG e a sua anterior presidente, assinado à margem de uma reunião do Conselho Geral e que contou com a concordância da Câmara. Apesar do voto de silêncio a que se obrigaram os subscritores, a substância do acordo não é secreta, sendo públicos os seus termos: as partes entenderam que estava na hora de mudar de ciclo na FCG, introduzindo novos protagonistas, …

O dia de finados na Guimarães oitocentista

O jornal A Reacção, católico e anti-liberal, noticiava assim, no dia 5 de Novembro de 1872, as celebrações do dia de finados em Guimarães (note-se que já então era assinalado no Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro):

Dia de finados. — Não passa este dia sem que o povo de Guimarães dê mostras de que é católico. No dia primeiro de Novembro é difícil entrar no cemitério e dificílimo percorrer as ruas do mesmo, tanta é a gente que ali vai pedir a Deus pelos que ali repousam.
Da igreja da Misericórdia, depoisde vésperas e sermão, saiu, como é costume todos os anos em igual dia, uma procissão que entrou em todas as igrejas da cidade onde há sepulturas.
Recolheu já muito de noite.