30 de novembro de 2011

E se o pinheiro fosse um pinheirinho?

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O Pinheiro é o número das Nicolinas que, quando toca a interpretá-lo, mais discussões tem gerado. A crer numa linha de interpretação que vai fazendo o seu caminho, para os estudantes de Guimarães, velhos e novos, o pinheiro nicolino seria uma espécie de totem fálico, assumindo a representação simbólica da virilidade. Para apimentar e corroborar esta interpretação, vem sempre à colação a costumeira de sangrar e rebentar a pele dos bombos, à força de investidas com a baqueta, objecto cuja forma é suficientemente sugestiva para servir de ilustração a esta teoria. Todavia, pelo menos originalmente, o pinheiro não seria mais do que um pau para a bandeira que anunciava as festas a Nicolau e a pele do bombo e a baqueta seriam, simplesmente, a pele do bombo e a baqueta com que se proclamava a Guimarães e aos quatro ventos que o pinheiro estava a chegar.

Todavia, para além da conjectura do culto fálico, inegavelmente sedutora, são possíveis outras interpretações para o significado da presença do pinheiro como um dos protagonistas das festas a S. Nicolau. Por exemplo, a hipótese, que não tenho visto explicitada pelos teóricos e analistas das Nicolinas, que permite a associação do pinheiro nicolino ao pinheiro de Natal. E esta não é uma possibilidade tão absurda quanto possa parecer.

Segundo a explicação mais corrente, a tradição do pinheiro de Natal terá começado na Alemanha do século XVI, tendo-se espalhado em seguida pelo resto da Europa. Por volta de 1800, chegou aos Estados Unidos. Mas a sua origem pode ser procurada ainda mais longe, já que na Antiguidade Clássica os romanos enfeitavam pinheiros com máscaras de Baco, no decurso das celebrações das saturnálias, festividades pagãs que, como as Nicolinas, aconteciam num tempo próximo do Natal cristão. Um dos costumes associados ao pinheiro de Natal prende-se com a colocação de presentes nos seus ramos ou a seus pés. O mesmo acontecia, pelo menos em finais do século XIX, o pinheiro dos estudantes de Guimarães. O mastro era adornado com “ofertas ao pinheiro” e com as prendas recebidas nas posses, as quais seriam partilhadas com quem aparecesse ao magusto.

Assim sendo, tal pinheiro, tal pinheirinho...
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Pinheiro ao alto, festas começadas

O pinheidro das festas Nicolinas de 2011
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Está o pinheiro erguido, estão as festas começadas. Para a maioria dos que participaram no cortejo do mastro que anuncia a festa dos estudantes de Guimarães, as festas a S. Nicolau já terminaram. Porque, para muitos, as Nicolinas resumem-se, impropriamente, à noite do Pinheiro.
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27 de novembro de 2011

Nova luz sobre a Guimarães do passado

A Vila Velha de Guimarães na Idade Média, por Alexandre Reis (primeiro ensaio)
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Ao longo dos últimos tempos, acompanhei de perto o trabalho de Alexandre Reis, no âmbito da preparação da sua dissertação de mestrado em Ilustração. Trabalhou a reconstituição urbana de Guimarães nos séculos XVI e XVII, tomando como ponto de partida a planta quinhentista recentemente divulgada. Do seu trabalho ("Guimarães - Uma visão do passado - Estudo de reconstituição histórica, séculos XVI/XVII"), que resulta de um aturado processo de investigação sobre as fontes documentais conhecidas e que acaba de ser defendido na ESAP, com assinalável sucesso, resulta uma nova visão sobre a configuração de diferentes espaços urbanos de Guimarães no passado, que agora importa dar a conhecer.
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24 de novembro de 2011

Nico e Lino ao vivo na Sociedade Martins Sarmento

Nico e Lino da Citânia de Briteiros
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As mais jovens estrelas do firmamento nicolino, Nico e Lino, estarão na Sociedade Martins Sarmento a partir da próxima segunda-feira, dia 28 de Novembro, ensaiando para o Pinheiro.

Nico e Lino são dois robôs construídos e programados em Guimarães. São independentes, mas interagem em perfeita sintonia quando se juntam para executar o toque do Pinheiro, com os repiques, ratas e pranas da caixa e os toques enérgicos e varonis do bombo.

O estágio de Nico e Lino na SMS, acompanhados por mais de três dezenas de outros robôs, enquadra-se na Semana Europeia de Robótica, assinalada em Guimarães com um conjunto de iniciativas da Universidade do Minho e da SAR - Soluções de Automação e Robótica, e na celebração do 10.º aniversário da consagração de Guimarães como Património Mundial.

A exposição robótica tem entrada livre.
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Como se mede um pinheiro?



Como se mede um pinheiro?
Aos palmos? O gigante de 1863 media 96 palmos, o de 1881 “cento e tantos”, o de 1899 atingia os 115.
Aos metros? Nunca menos de vinte: o monstro de 1904 atingia 25 metros, o de 1911 ficou-se pelos 21.
Antigamente, media-se em juntas de bois. O Pinheiro era tanto maior quantas mais juntas de bois acompanhassem o seu cortejo.
Colhendo informações nos jornais, sabemos que em 1881 “o pinheiro ou mastro veio da freguesia de Antemil, pela estrada de Braga, puxado a 7 juntas de bois, precedido de uma coorte de tambores, ladeado de inúmeros archotes, e acompanhado por uma banda de música, tocando o hino escolástico”. Em 1883, o número de juntas subiu para doze. Em 1895, no ressurgimento das festas, já eram 26. Em 1900, o pinheiro foi puxado por “48 juntas de bois, nédios e bem armados”. Em 1904, foram “seiscentas, perdão, sessenta e uma juntas de bois tirando os carros em que vinha o pinheiro!”. Em 1906 formam 70 juntas, record que seria batido em 1911, quando 79 (ou mesmo 80, porque as fontes divergem) juntas de bois se incorporaram no cortejo do pinheiro.
Em 1916, as festas davam sinais de declínio: “O “pinheiro”, mastro anunciador das festas, veio este ano (o nunca visto!) puxado apenas por uma junta... de vacas, que já não viam feno há mais de três quinze dias! Pobres bichos... Infelizes animais!..”
Em 1918, anunciava-se o fim das festas. “Morreu o S. Nicolau!”.
No entanto, em 1919, as Nicolinas ressurgiram com vigor, sendo o pinheiro tirado por “numerosas juntas de bois”. Em 1925, seriam 53. O pinheiro de 1927 deve ter ficado na memória: a ele compareceram 71 possantes juntas de bois. Na década de 1960, a majestade do Pinheiro ainda se media pela quantidade de bois que escoltavam o mastro: em 1965, foram “muitas e possantes juntas de bois” que carregaram o mastro nicolino.
Hoje em dia, a grandeza do cortejo do Pinheiro avalia-se pela quantidade de gente que o acompanha.
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22 de novembro de 2011

Bombos e música clássica


Tenho lido com curiosidade alguma polémica a propósito do agendamento para o próximo dia 29 de um concerto da Orquestra do Norte, a acontecer no Paço dos Duques. O evento nada teria de estranho, não fosse a coincidência de data com a do cortejo do Pinheiro, com que se assinala o início das Festas Nicolinas. Quanto ao facto em discussão, não tenho nenhuma dúvida de que resultará de um equívoco, uma vez que sei bem que em Guimarães ninguém no seu perfeito juízo e em plena consciência marcaria um concerto de música clássica para aquele dia e para aquele local, a não ser que o quisesse boicotar. Não pelo dano que pudesse causar à festa dos estudantes, que seria irrelevante, mas pelo efeito que teria sobre o concerto, que seria desastroso. A situação está esclarecida e resolvida. Mas não deixaria de ter o seu encanto escutar o mozartiano concerto para piano e orquestra N. 23 em Lá Maior acompanhado por um naipe de percussão composto por centenas de caixas e bombos nicolinos…

Da discussão que entretanto se gerou, achei particularmente curiosa a troca de argumentos acerca da cultura popular e da cultura das elites, enquadrando-se o Pinheiro como uma manifestação da primeira e a música clássica como coisa da segunda. E o curioso disto vem do facto de ser manifesto que as Nicolinas são, na sua raiz mais profunda, uma festividade eminentemente elitista. No século XIX, nesta festa apenas participava um corpo restrito de pessoas de Guimarães, composto por aqueles que tiveram meios para prosseguir estudos para lá das primeiras letras, o que excluía todos os que quisessem participar na festa sem terem o estatuto de “estudantes” (os futricas, aos quais se reservavam os vexames da praxe, tais como os banhos invernais forçados no velho chafariz do Toural). Já no século XX, com a apropriação das festas pelos estudantes do Liceu, não faltam momentos em que o elitismo dos filhos da “melhor sociedade” vimaranenses veio ao de cima. Ainda há por aí quem se lembre de quando, em certa edição das roubalheiras, foi afixada à porta da Escola Industrial a placa da Casa dos Pobres.

Foi pelo seu carácter elitista que, em tempo de revolução, se quis acabar, felizmente sem sucesso, com as Nicolinas.

Em Dezembro de 1910, escrevia-se num jornal cá da terra, a propósito das Nicolinas:

“Acabai com isso, que faz lembrar os batuques dos selvagens, que parece um trecho de sertão africano deslocado para um meio civilizado”.

Em 1974 as festas lá se realizaram, mas não sem contestação daqueles que as viam como uma manifestação de classe. Mas não sem algumas cedências: foi abolido o trajo nicolino, identificando-se os estudantes que andavam pelas casas em peditório com um “cartão autenticado pela Secretaria do Liceu e pela Associação dos Antigos Estudantes do Liceu de Guimarães” e foi acrescentado um novo (e efémero) número ao programa, um debate político em que os representantes dos partidos políticos dissertaram sobre “a democratização do ensino”.

É evidente que a realidade dos dias de hoje é diferente, por força da massificação do ensino e da mutação das mentalidades. Nos tempos que correm, as Nicolinas são uma festa inclusiva, como nunca o haviam sido no passado. Hoje não há futricas, porque todos (e todas) têm lugar nos festejos. No entanto, à luz da história, não deixa de ser irónica a troca de argumentos acerca da cultura popular e da cultura de elites quando se fala das festas dos estudantes de Guimarães. 
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19 de novembro de 2011

Guimarães Nico e Lino

Um roteiro de visita a Guimarães, com toque Nicolino (e bem tocado). Guias: Nico e Lino. Feito em Guimarães.


Este é um vídeo de divulgação da Semana Europeia da Robótica, que decorrerá de 28 de Novembro a 4 de Dezembro.


PS: Faltaram os créditos. Aqui ficam: correndo o risco de deixar alguém de fora, porque os autores da obra não a assinam, ela tem, seguramente, a mão dos vimaranenses Fernando Ribeiro e Nino Pereira, que criaram o Nico e o Lino e lhes ensinaram, magistralmente, o toque do Pinheiro. Os robôs foram construídos com componentes Bot'n Roll (botnroll.com), também cá da terra.
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14 de novembro de 2011

Sempre o Toural


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Quando falta um mês da para a conclusão das obras, o Toural já mostra a sua nova configuração. A intervenção em curso tem feito correr muita tinta e gerado discussões apaixonadas, em que muitas vezes têm sido esgrimidos argumentos contraditórios com a realidade que se pode observar no terreno: que iam transformar o Toural num “deserto” de granito, que lhe iam tirar as árvores, que deviam deixar o Toural como ele “sempre foi”.

E, em vez da monotonia granítica, vamos vendo que o novo Toural se vai fazendo com granito, mas também com muito quartzo, algum basalto, bastante calcário, e até - um luxo! - não pouca pedra lioz.

Quanto às árvores, basta contá-las: as que lá se plantaram agora são mais do que aquelas que existiam no Toural antes do começo das obras. É certo que ainda são de pouco porte, mas esse é um problema que só o tempo resolverá. Haja paciência, que as árvores são jovens e ainda têm muito para crescer.

Já o desejo de se voltar a ter o Toural como ele “sempre foi”, não será, nunca seria, possível realizar, porque o Toural já foi várias coisas diferentes, já mudou de rosto umas quantas vezes: foi campo aberto, foi jardim fechado, foi jardim aberto, foi com árvores, foi sem árvores, foi terreiro, foi sem mosaico, foi com mosaico. E, nas muitas mudanças, grandes e pequenas, de que foi alvo ao longo do século XX, a polémica esteve sempre presente. E só poderia ter sido assim, ou não fosse o Toural o coração da cidade.

A compleição que o Toural manteve durante mais tempo foi a de campo desimpedido, cercado de casas a norte e a poente, com a face exterior da muralha de Guimarães a fechar o lado nascente e com o chafariz quinhentista a rematar o topo virado a sul. Em finais do século XVIII, princípios do XIX, o pano de muralha que delimitava o Toural, mais a torre da Porta da Vila foram apeados, para no seu lugar se erguer a magnífica frente edificada a que chamamos de pombalina (neste ponto, imagino a senhora D. Maria I, a quem chamaram a Louca, lá por onde andará, a proclamar, como só uma rainha será capaz de proclamar: “Pombalina é a tua tia!”).

As obras actualmente em curso não nos vão devolver o Toural como ele “sempre foi”, nem como terá sido algum dia. O que teremos não será uma reconstrução do passado, mas sim a criação de um rossio que será do século XXI sem renegar a memória, devolvendo à praça mais emblemática da nossa cidade a grandeza que um dia lhe justificou o cognome de sala de visitas de Guimarães.

Tempos havia em que alguns, olhando para o Toural tal como o conhecemos durante a maior parte do século XX, manifestavam a sua nostalgia pelo aspecto que tinha tido antes, quando era um jardim gradeado, fechado e inacessível a boa parte dos vimaranenses; agora, outros - que, às vezes, até são os mesmos - lamentam o desaparecimento do Toural tal como ele era antes das obras que agora se fazem. E não será preciso ser adivinho para prever o que irá acontecer daqui a umas quantas décadas, quando se decidir voltar a mudar o Toural: não faltará então quem erga a sua voz indignada para defender que não se deve mexer na praça, porque sempre a conheceu assim. Porque o homem tem memória curta e tende a acreditar que sempre existiu aquilo que ele se habituou a conhecer. 

Sempre é uma palavra que se deve usar com moderação. Sempre.
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10 de novembro de 2011

Imprensa vimaranense (14)


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Começou a publicar-se em meados de 1872. Tinha como proprietário Augusto dos Santos Guimarães, da rua da Tulha (mais tarde apresentado também como director). Teve, durante parte da sua vida, como responsável, um tal José dos Santos. A sua redacção começou por se situar no n.º 3 da Rua dos Fornos (actual rua João Lopes de Faria). Publicava-se às terças e sextas-feiras, mas chegou a sair três vezes por semana. O seu conteúdo correspondeu sempre ao seu título, mantendo ao longo da sua existência um carácter estritamente noticioso. Terá terminado o seu curso com o n.º 1425, publicado em 17 de Setembro de 1889. Ressurgiria em 1903, sob direcção de Marcos M. F. Santos Guimarães.
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8 de novembro de 2011

Pasmatório


O Toural, nos dias que correm
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1. Pasmatório é, segundo os dicionários, a praça ou o lugar onde se juntam as pessoas para conversarem sobre o que vai acontecendo e sobre o que se vai dizendo.
2. Eis um tema de conversa no nosso pasmatório: não falta por aí quem, porventura investido de uma superioridade moral que se não sabe de onde lhe chega, reclame esclarecimentos e critique o “silêncio” de membros do Conselho Geral da FCG, entre os quais me incluo, relativamente aos termos do acordo que conduziu ao afastamento da anterior presidente da Fundação Cidade de Guimarães. Esclareça-se, portanto.
Esclareça-se, em primeiro lugar, que se trata de um entendimento entre a FCG e a sua anterior presidente, assinado à margem de uma reunião do Conselho Geral e que contou com a concordância da Câmara. Apesar do voto de silêncio a que se obrigaram os subscritores, a substância do acordo não é secreta, sendo públicos os seus termos: as partes entenderam que estava na hora de mudar de ciclo na FCG, introduzindo novos protagonistas, a presidente resignou ao cargo e a FCG comprometeu-se a compensá-la por eventuais perdas salariais, em relação à remuneração que auferia antes de assumir funções na FCG, no posto de trabalho que viesse a ocupar. Os termos do acordo foram divulgados, com clareza, em conferência de imprensa e em reunião da vereação municipal, através do jurista que representou a Câmara nas negociações, pelo que não se entende a insistência em pedidos de esclarecimento por parte de quem tem a obrigação de estar bem informado.
Tal como não se compreende a notícia da última edição do Expresso em que se afirma que a diferença a pagar pela Fundação seria a que resultava dos vencimentos que Cristina Azevedo auferia na Euronext (empresa a cujos quadros pertencia) e na FCG. Tal não corresponde à verdade. A diferença em questão é a que resultar da situação que a ex-presidente da FCG auferia imediatamente antes de vir para Guimarães (é público que estava destacada na CCDRN) e a que lhe caberá na sua nova situação profissional, depois de sair de Guimarães (eventualmente, regressando à Euronext). A distância que vai da informação que lemos no Expresso e a verdade pode parecer uma minudência, mas é uma “minudência” que vai entre meia dúzia e centenas de milhares de euros. Os pergaminhos de um jornal de referência nacional deveriam recomendar mais rigor nas informações que publica.
3. De todas as intervenções que, ao longo das últimas décadas, aconteceram em Guimarães, a de maior risco será a que envolve o Toural, já que esta praça carrega em si uma fortíssima carga afectiva e simbólica, que explica as resistências e as polémicas que se levantaram sempre que houve intenção de lhe mexer. Trata-se de uma cirurgia de alto risco, por ter como objecto o coração da cidade. Desta vez, não faltou a discussão, nem faltaram as resistências, umas mais viscerais do que outras. Mas a obra fez-se e o novo Toural vai ganhando forma.
Acabo de subir à basílica de S. Pedro para olhar a praça. O que vi confirmou o que ia percebendo a partir do chão: o redesenho do Toural incorpora uma notável marca de contemporaneidade, acrescenta dimensão e amplitude e devolve a praça à sua grandiosidade original. Guimarães está em vias de recuperar a sua principal centralidade e o seu pasmatório natural.
[Texto publicado em O Povo de Guimarães de 4 de Novembro de 2011]
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1 de novembro de 2011

O dia de finados na Guimarães oitocentista



O jornal A Reacção, católico e anti-liberal, noticiava assim, no dia 5 de Novembro de 1872, as celebrações do dia de finados em Guimarães (note-se que já então era assinalado no Dia de Todos os Santos, 1 de Novembro): 

Dia de finados. — Não passa este dia sem que o povo de Guimarães dê mostras de que é católico. No dia primeiro de Novembro é difícil entrar no cemitério e dificílimo percorrer as ruas do mesmo, tanta é a gente que ali vai pedir a Deus pelos que ali repousam.

Da igreja da Misericórdia, depois de vésperas e sermão, saiu, como é costume todos os anos em igual dia, uma procissão que entrou em todas as igrejas da cidade onde há sepulturas.

Recolheu já muito de noite.
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